Nomeação de Sérgio Carneiro como Secretário do Município de Feira de Santana demarca ápice do poder político do prefeito José Ronaldo

Evento de posse de Sérgio Carneiro demarca ápice do poder político de José Ronaldo em Feira de Santana.
Evento de posse de Sérgio Carneiro demarca ápice do poder político de José Ronaldo em Feira de Santana.
Evento de posse de Sérgio Carneiro demarca ápice do poder político de José Ronaldo em Feira de Santana.
Evento de posse de Sérgio Carneiro demarca ápice do poder político de José Ronaldo em Feira de Santana.

Na tarde de quinta-feira (28/05/2015), secretários, vereadores, representantes políticos e jornalistas estiveram reunidos na sede da Prefeitura de Feira de Santana com a finalidade de prestigiar a posse do ex-deputado federal Sérgio Carneiro como Secretário de Relações Institucionais.

O evento marca o ápice do poder político do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (DEM). Atualmente, a família Martins, descendente do falecido ex-prefeito Colbert Martins; a família Falcão, ligada ao falecido ex-prefeito José Falcão da Silva, e a família Carneiro, cuja origem remete ao patriarca ex-governador e ex-senador João Durval Carneiro, comungam do mesmo projeto político, projeto liderado por José Ronaldo.

Observa-se que no campo da política o gesto e as palavras possuem valor e representatividade que perpassam o significado imediato do momento. Nesse sentido, com a nomeação de Sérgio Carneiro, Ronaldo reúne sob o mesmo governo, sob a mesma direção as principais famílias ligadas ao setor político do município, consolidando a posição de maior liderança histórica da cidade.

Perpetuação

É sintomático observar que ao renuir sob o mesmo governo as tradicionais famílias políticas de Feira de Santana, José Ronaldo termina por perpetuar o conservadorismo político no município, adiando a possibilidade de surgimento de governos progressistas.

Valor

Sérgio Carneiro, recém-saído do Partido dos Trabalhadores, mas cuja origem política esteve ligada aos conservadores, é um dos melhores quadros da Bahia. O reingresso nas hostes do conservadorismo pode levar experiências bem-sucedidas, durante a trajetória como petista, a serem incorporadas nas práticas dos conservadores.

Oposição

A incapacidade de aglutinar forças trabalhistas, minorias, e excluídos sociais em torno de um projeto alternativo de desenvolvimento social demonstra a necessidade de construção de novas lideranças que sejam capazes de produzir uma disputa, sem necessariamente almejar a vitória.

Em uma das entrevistas que Fernando Henrique Cardoso (FHC) concedeu, ele comentou que, no Brasil, durante a ditatura Militar-Civil não existia a perspectiva imediata de vitória, era luta por um ideal. Ele observou que esse elemento terminava por catalisar forças que convergiam em um mesmo propósito, a redemocratização do país.

A avaliação de FHC pode ser compreendida, no contexto local, em duas dimensões. Primeiro, é necessário um ideal de sociedade e não de poder. Segundo, é na direção deste ideal que se pode construir uma convergência de valores e ações que consolidem, no longo prazo, um projeto alternativo e vitorioso de poder.

Observando o atual cenário político local, infere-se que esse ideal está diluído em camadas de disputas no campo da combalida oposição. Observa-se, também, que elas não conseguem convergir em ideais, valores, e ações porque questão buscando apenas o poder como forma de mudança de status pessoal, e não de transformação da sociedade. Nesse sentido, são sucessivamente derrotadas.


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