Mais um garantista da impunidade | Por Luiz Holanda

Sessão da 2ª turma do STF. Em artigo, Luiz Holanda aborda impunidade e atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sessão da 2ª turma do STF. Em artigo, Luiz Holanda aborda impunidade e atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sessão da 2ª turma do STF. Em artigo, Luiz Holanda aborda impunidade e atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sessão da 2ª turma do STF. Em artigo, Luiz Holanda aborda impunidade e atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A credibilidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não é das melhores. O comportamento de alguns demonstra a perda dos valores éticos que norteiam a magistratura, principalmente dos integrantes da mais alta corte de justiça do país. E isso começa pelo seu atual presidente, Ricardo Lewandowski, flagrado por diversas vezes praticando atos incompatíveis com a carreira e com o cargo que ocupa.

Em um desses flagra ele aparece como defensor de José Dirceu no processo do mensalão, do qual foi revisor. A imprensa registrou sua parcialidade e o seu partidarismo em favor do companheiro, notadamente quando, ao celular, confessou que o ”negócio era aliviar para o Dirceu”. Além dessa confissão, foi, posteriormente, acusado de ter ordenado o sumiço dos pareceres técnicos que sugeriam a reprovação das contas do PT e da campanha da presidente Dilma, em 2012. Segundo a imprensa, o sumiço ocorreu por determinação do ministro, à época presidindo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Enquanto o processo do mensalão se desenvolvia no STF, um auditor prestava um surpreendente depoimento a respeito das contas do PT relativas a 2003, ano considerado como detonador da superengrenagem da corrupção. Foi nessa época que alguns líderes petistas, juntamente com Marcos Valério, começaram a subornar com dinheiro público parlamentares e partidos aliados.

Munido de documentos que o fizeram opinar pela rejeição das contas do partido, o auditor Rodrigo Aranha Lacombe apontou que mais de R$ 2 milhões com gastos de passagens aéreas não estavam devidamente comprovados. Daí a acusação da Veja sobre o sumiço do parecer por ordem de Lewandowski.

Diante dessa situação, a imprensa, de um modo geral, destacou a desesperança em nosso judiciário indagando sobre o que esperar da Justiça de um país em que o futuro presidente do STF (Lewandowski ainda não era o presidente da Suprema Corte) e do Conselho nacional de Justiça (CNJ) era apontado como o principal manipulador de um esquema para viabilizar a aprovação das contas do PT e da campanha presidencial de dona Dilma.

Agora essa indagação, sob o aspecto da manutenção da impunidade, volta a ser feita após a nomeação do advogado Luiz Fachin para o tribunal. Os garantistas da impunidade, que já eram maioria, estão eufóricos, pois conseguiram mais um voto às suas decisões. E isso será comprovado muito brevemente com o novo ministro relatando o pedido de investigação feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Renan Calheiros, presidente do Senado e Eduardo cunha, presidente da Câmara. Aliás, Fachin já manifestou gratidão a Renan ao elogiar a sua “neutralidade” por ocasião da humilhante sabatina a que se submeteu no Senado.

Mesmo que, para o planalto, a nomeação do novo ministro seja uma garantia contra as investidas do senador alagoano, em breve o veremos determinar o arquivamento do pedido de investigação feito por Janot. Afinal, ele precisa resgatar a promissória moral que assinou por ocasião de sua nomeação. Não custa nada esperar para se comprovar que Fachin é apenas mais um garantista da impunidade. E nada mais.

Luiz Holanda é advogado, professor universitário e conselheiro do Tribunal de Ética da OAB/BA.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.