
Em nota emitida hoje (24/03/2016), 34 acadêmicos da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA) criticam as evidentes violações ao Estado Democrático de Direito e ao Devido Processo Legal no transcurso do Caso Lava Jato.
Os acadêmicos alertam que “não se faz Justiça fora da racionalidade da norma e seus limites hermenêuticos. Não se faz Justiça tentando atender simultaneamente aos autos e à mídia. Não se faz Justiça à margem dos direitos e garantias fundamentais.”.
Os professores da UFBA cobram que as “investigações e eventuais condenações sigam as normas pré-estabelecidas, com garantia ao devido processo legal, à presunção de inocência e ao contraditório”. Eles destacam que esses princípios constitucionais não podem – e nem devem – ser confundido com a defesa da impunidade.
Confira o teor da ‘Nota Pública’
Os subscritores, todos professores da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, da ativa ou aposentados, independentemente de posição ideológica ou preferência político-partidária, ante a grave crise ética, política, social e econômica que estamos passando, vem se manifestar nos seguintes termos:
1 – Vivemos o mais longo período de democracia da nossa República, o que nos permitiu fortalecer as instituições e aprofundar a cidadania. Mas ainda há muito a ser feito. O respeito ao Estado Democrático de Direito e aos direitos e garantias fundamentais não se dá apenas pela sua inclusão na Constituição Federal, mas antes pelo compromisso, de cada brasileiro, de assim agir.
2 – A fiel observância à Democracia, ao Estado de Direito, ao Princípio da Igualdade e o respeito à cidadania pede que todos, o que inclui Poder Judiciário, Ministério Público, Policia Federal, partidos políticos, movimentos sociais, empresas privadas e cidadãos, observem a lei.
3 – Toda e qualquer iniciativa no sentido de investigar, apurar e punir atos de corrupção praticados por qualquer um, independentemente de cargo, função, vinculação partidária ou atividade privada, recebe o nosso o apoio e aplauso.
4 – Na outra ponta, temos presenciado a espetacularização gerada em torno das investigações e medidas judiciais que estão em curso, o que nos causa preocupação.
5 – A história e a experiência nos mostram que não se faz Justiça com açodamento ou atropelos. Não se faz Justiça fora da racionalidade da norma e seus limites hermenêuticos. Não se faz Justiça tentando atender simultaneamente aos autos e à mídia. Não se faz Justiça à margem dos direitos e garantias fundamentais, que são assegurados a cada cidadão, inclusive aos que porventura estejam sendo investigados.
6 – Desejar que as investigações e eventuais condenações sigam as normas pré-estabelecidas, com garantia ao devido processo legal, à presunção de inocência e ao contraditório não pode – e nem deve – ser confundido com a defesa da impunidade. Ao contrário. Acreditamos que as nossas instituições estão tão maduras, e que trabalham com tal autonomia, que são capazes de, respeitando as regras, cumprir o papel que nós, brasileiros, ardentemente esperamos que desempenhem.
7 – Por fim, afirmamos a nossa convicção de que os brasileiros encontrarão os caminhos para superar esse momento observando o Estado Democrático de Direito e a Constituição Federal de 88, construindo soluções de forma pacífica, dialogada e com respeito às instituições, de maneira a fazer com que a nossa Democracia seja fortalecida.
Alessandra Prado
André Portella
Antonio Sá
Carlos Freitas
Celso Castro
Cláudia Albagli
Cristiana Santos
Daniela Andrade Borges
Daniela Portugal
Fábio Periandro
Felipe Ventin
Francisco Bertino
Gabriel Marques
Geovane Peixoto
Geraldo Sobral (aposentado)
Helcônio Almeida
Heron Gordilho
Iran Furtado
Isabela Fadul
Iuri Matos de Carvalho
José Ponciano de Carvalho
Júlio Rocha
Laise Guimarães
Marilia Muricy (aposentada)
Mauricio Azevedo Araújo
Murilo Sampaio Oliveira
Pedro Lino
Renata Queiroz Dutra
Rodolfo Pamplona
Samuel Vida
Sara Côrtez
Tatiana Dias Gomes
Thais Bandeira
Walber Carneiro
Share this:
- Click to print (Opens in new window) Print
- Click to email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Click to share on X (Opens in new window) X
- Click to share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Click to share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Click to share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Click to share on Telegram (Opens in new window) Telegram
Relacionado
Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




