Durante o seminário “O que a Lava Jato tem feito pelo Brasil”, promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo neste domingo (26/03/2017), o jornalista Mino Carta, diretor de redação da revista CartaCapital, afirmou que a Operação Lava Jato preparou o caminho para um golpe político no país. Segundo ele, a investigação funcionou como uma “cortina de fumaça” para enfraquecer o Partido dos Trabalhadores e pavimentar o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência.
Mino Carta argumentou que a operação não se limitava ao combate à corrupção. Para ele, havia um movimento de alinhamento com interesses estrangeiros, em especial dos Estados Unidos, incomodados com a política externa dos governos Lula e Dilma Rousseff, marcada pela autonomia diplomática conduzida pelo então chanceler Celso Amorim.
Ele destacou que integrantes da força-tarefa, como o ex-juiz Sérgio Moro, mantinham contatos frequentes em Washington, visitando órgãos como o FBI, a CIA e a DEA. “Não perdem a oportunidade”, afirmou, sugerindo proximidade com interesses norte-americanos.
Delações premiadas e métodos questionados
O jornalista também criticou o uso extensivo de delações premiadas e os vazamentos seletivos. Segundo ele, muitas colaborações foram obtidas por meio de intimidação e prisão preventiva, caracterizando uma prática “ilegal” e “extorsiva”. Para Carta, embora a corrupção devesse ser combatida, a Lava Jato transformou-se em um instrumento de manipulação política que, sob o discurso moralizador, teria obscurecido interesses mais amplos.
Defesa de Lula e do legado dos governos do PT
Mino Carta enfatizou que a operação buscava não apenas desestabilizar o PT, mas também destruir o país, atingindo setores estratégicos como a Petrobras. Ele relembrou que, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a estatal caminhava para a privatização, ao passo que, sob Lula e Dilma, houve recuperação da companhia e execução de obras estruturais, como o porto de Mariel em Cuba.
O jornalista afirmou ainda que o PSDB atuava como porta-voz da “Casa Grande”, enquanto classificou o PMDB como “uma quadrilha”. Apesar das críticas, destacou estar animado com manifestações populares, como os protestos contra a Reforma da Previdência e a presença massiva de cidadãos na inauguração da transposição do Rio São Francisco, em Monteiro, Paraíba.
Confiança na liderança política de Lula
Amigo de Luiz Inácio Lula da Silva há quase quatro décadas, Mino Carta declarou confiança na capacidade de liderança do ex-presidente, sobretudo diante da conjuntura política. “Estou muito confiante da capacidade de liderança de Lula”, afirmou, sugerindo que a figura do ex-presidente continuava sendo central para a resistência contra o que classificou como “um golpe feroz que está destruindo o país”.
Instrumento político e jurídico
As declarações de Mino Carta inserem-se em um debate mais amplo sobre o papel da Operação Lava Jato na política brasileira e seus impactos institucionais. Enquanto parte da sociedade a enxerga como um marco no combate à corrupção, outra parcela sustenta que a operação teria servido como instrumento político e jurídico para fragilizar governos eleitos e favorecer uma agenda alinhada ao mercado e a interesses externos. A fala do jornalista reforça essa segunda interpretação, ao apontar vínculos internacionais e métodos questionáveis de investigação. O episódio revela, portanto, a polarização narrativa sobre o legado da Lava Jato, que continua a dividir opiniões no país.

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