Essa é uma guerra jurídica com fins políticos, afirma Cristiano Zanin Martins, advogado de defesa do ex-presidente Lula

Cristiano Zanin Martins: Para qualquer medida cautelar, como foi essa, haveria a necessidade de uma prova de que o ex-presidente estaria dilapidando o seu patrimônio.
Cristiano Zanin Martins: Para qualquer medida cautelar, como foi essa, haveria a necessidade de uma prova de que o ex-presidente estaria dilapidando o seu patrimônio.

Cristiano Zanin Martins, um dos advogados da equipe de defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, contesta o bloqueio de contas e propriedades do ex-presidente brasileiro, ordenado esta semana pelo juiz Sérgio Moro. Para os defensores do petista, a medida é ilegal e esconde a dimensão política do processo, que visaria impedir a candidatura do ex-chefe de Estado para a eleição presidencial de 2018.

Por ordem do juiz federal Sergio Moro, o Banco Central bloqueou ontem R$ 606.727,12 em quatro contas bancárias do ex-presidente. A Justiça também decretou o sequestro de quatro imóveis e dois veículos que pertencem ao petista. Mas o advogado de Lula aponta as irregularidades do confisco.

“Para qualquer medida cautelar, como foi essa, haveria a necessidade de uma prova de que o ex-presidente estaria dilapidando o seu patrimônio. Mas essa prova não existe. A medida foi decretada a partir de uma mera suposição, de uma mera cogitação, com base em um pedido que o Ministério Público havia feito em outubro do ano passado, portanto sem qualquer atualidade”, explica Zanin Martins.

A defesa do petista também chama a atenção para o aspecto “abusivo” da medida que, segundo o advogado, “retira do ex-presidente Lula a disponibilidade dos valores que ele necessita para sua própria subsistência”. O advogado, aliás, já prepara um recurso e vai impugnar a decisão, “mostrando que ela não tem nenhum amparo na lei”.

Alguns analistas políticos afirmam que o bloqueio dos bens de Lula teria como objetivo tirar o petista da corrida presidencial de 2018. Zanin concorda com essa teoria e diz que há tempos alerta para esse risco. “Nós já afirmamos diversas vezes que esse é um processo político com verniz jurídico”, ressalta o advogado. “Está sendo utilizado um procedimento jurídico com o claro objetivo de atrapalhar e interferir na atuação política do ex-presidente Lula”, conclui Zanin.

*Com informação da RFI.


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