
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar foi fortalecido durante a gestão de Lula e alcançou o auge no Estado da Bahia durante o governo da presidenta eleita Dilma Rousseff (PT).
Na safra de 2012, por exemplo, o Pronaf teve um aumento de 72% nos investimentos em relação ao ano anterior. Mas os números mostram uma trajetória de crescimento quase linear ao longo dos 13 anos dos governos petistas. O programa oferece financiamentos a juros quase inexistentes para pequenos agricultores familiares que querem investir na produção.
“Dilma e Lula entendiam a agricultura familiar como algo estruturante do desenvolvimento do Brasil principalmente no interior”, afirma Davi Montenegro, do coletivo de produção do MST-Bahia (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). “Eles construíram um conjunto de políticas públicas que permitiram que a agricultura familiar tivesse uma viabilidade econômica”, explica.
O Pronaf foi o carro chefe, mas outros programas também foram importantes. Edilton Oliveira Soares, Secretário de Finanças e Serviços da Fetraf-BA (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar), lembra do Luz para Todos, do Bolsa Família e do Água para Todos. Já Montenegro cita o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), em que órgãos do setor público, como hospitais e presídios, se comprometem a comprar alimentos da agricultura familiar, sem intermediários.
O Luz para Todos levou energia elétrica para casas onde não havia luz. Já o Água para Todos foi essencial para enfrentar as secas frequentes do interior baiano. O programa possibilitou a instalação de cisternas para captação de água de chuva e, em alguns locais, a perfuração de poços artesianos, que coletam água do subsolo, explica Soares. “A gente vive um estado semiárido, a gente atravessou muita seca. Com isso, amenizou muito”, afirma. A água serve tanto para consumo quanto para viabilizar a própria produção.
Já o Pronaf triplicou o número de famílias atendidas a partir do primeiro governo Lula. Enquanto em 2001 foram cerca de 51 mil contratos, totalizando cerca de R$ 90 milhões, na safra de 2005-2006 foram quase 300 mil contratos, chegando a R$ 395 milhões investidos.
Soares lembra do caso de uma família que pediu um financiamento para a compra de uma vaca. Em dois anos, ela há havia recuperado o dinheiro com a venda de um bezerro, quitou a dívida e ainda ficou com uma vaca e um bezerro.
A assistência técnica foi outro fator importante para o fortalecimento da agricultura familiar, lembra ele.
“Se você não tem recursos para comprar semente, para preparar terra, para pagar alguém para ajudar, você aplica na produção”, cita.
| Dados do Pronaf na Bahia, desde 1999 | ||
| Safra | Contratos | Valor Financiado (Em R$) |
| 1999-2000 | 43.519 | 68.394.799,19 |
| 2000-2001 | 57.346 | 92.817.797,04 |
| 2001-2002 | 51.693 | 89.935.375,89 |
| 2002-2003 | 62.864 | 103.210.508,57 |
| 2003-2004 | 89.852 | 183.831.692,44 |
| 2004-2005 | 168.522 | 265.291.755,04 |
| 2005-2006 | 292.462 | 395.289.317,35 |
| 2006-2007 | 263.157 | 371.668.349,54 |
| 2007-2008 | 140.757 | 292.485.516,02 |
| 2008-2009 | 129.596 | 273.688.305,00 |
| 2009-2010 | 133.201 | 325.665.155,41 |
| 2010-2011 | 143.456 | 351.480.225,06 |
| 2011-2012 | 155.766 | 402.820.683,27 |
| 2012-2013 | 242.225 | 694.784.382,43 |
| 2013-2014 | 217.415 | 853.415.060,23 |
| 2014-2015 | 245.719 | 918.117.511,26 |
| 2015-2016 | 235.604 | 846.677.062,48 |
| 2016-2017 | 217.154 | 763.151.616,32 |
| Fonte: Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SDR Bahia) | ||
Assentamentos
Segundo Evanildo Costa, da direção nacional do MST, a assistência técnica também foi importante para os assentamentos da reforma agrária na Bahia. Outro programa importante foi o crédito para habitação, para que os assentados pudessem construir suas casas. “Lula conseguiu apoiar o processo de desapropriação”, afirma Costa.
Hoje, a maioria das famílias assentadas produzem alimentos agroecológicos, sem o uso de agrotóxicos.
Apenas no sul da Bahia, são 25 assentamentos agroecológicos. “Além de ser saudável, essa produção questiona o modelo do agronegócio, que envenena a população e o meio ambiente. Exige um processo de recomposição das áreas, de recuperação da natureza e das nascentes”, explica.







