Deputado Carlos Geilson lamenta morte do ex-deputado federal Pedro Irujo Yaniz, empresário e político com quatro mandatos pela Bahia

O deputado estadual Carlos Geilson apresentou moção de pesar na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) pela morte do ex-deputado federal Pedro Irujo Yaniz, ocorrida nesta sexta-feira (15/09/2017), em Salvador, aos 87 anos. Empresário e político de origem espanhola, Irujo exerceu quatro mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados entre 1991 e 2007, tendo trajetória marcada pela atuação empresarial em diversos setores e pela participação em importantes votações do Congresso Nacional durante as décadas de 1990 e 2000.

O deputado estadual Carlos Geilson destacou, na manifestação apresentada à Assembleia Legislativa, a relação pessoal e profissional que manteve com Pedro Irujo ao longo de sua carreira. Geilson recordou o período em que trabalhou na Rádio Subaé AM, emissora pertencente ao empresário em Feira de Santana.

Segundo o parlamentar, a convivência profissional com Irujo foi marcada pela postura exigente do empresário em relação ao jornalismo praticado em seus veículos de comunicação. Em depoimento registrado na moção de pesar, Geilson relembrou episódios de entrevistas realizadas com o então empresário e político.

Hoje tive a triste notícia da morte do querido Pedro Irujo, com quem convivi muito de perto quando trabalhei na Rádio Subaé AM. As entrevistas que fiz com ele foram muito marcantes. Mesmo sendo dono da emissora, o empresário exigia que os repórteres fizessem perguntas ‘duras’, pois acreditava que apenas desse jeito a entrevista iria repercutir”, afirmou o deputado.

Geilson acrescentou que a postura de Irujo estimulava a prática de entrevistas mais incisivas e críticas. De acordo com o parlamentar, o empresário demonstrava insatisfação quando considerava que as perguntas feitas pelos repórteres eram excessivamente complacentes.

Origem espanhola e trajetória empresarial no Brasil

Pedro Irujo Yaniz nasceu em Pamplona, na região de Navarra, na Espanha, em 29 de junho de 1930, filho de Bruno Irujo e Felisa Yaniz. Sua ligação com o Brasil teve início por meio de viagens ocasionais, até estabelecer residência definitiva no país.

Inicialmente transferiu-se para São Paulo em 1956, mudando-se posteriormente para Salvador em 1963, onde consolidou sua trajetória empresarial. Ao longo das décadas seguintes, Irujo atuou em diferentes segmentos econômicos.

Entre as áreas em que desenvolveu atividades empresariais destacam-se:

  • Transportes especializados
  • Hotelaria
  • Construção civil
  • Indústria
  • Comunicação social

No setor de comunicação, tornou-se proprietário de veículos relevantes na Bahia, incluindo a TV Itapoã, em Salvador, e as emissoras de rádio Nordeste FM e Subaé AM, em Feira de Santana.

Entrada na política e atuação no Congresso Nacional

A carreira política de Pedro Irujo começou em 1980, período em que passou a atuar em articulações partidárias e atividades políticas no estado da Bahia. Entre 1987 e 1990, exerceu a função de delegado nacional do PMDB.

Em 1989, assumiu a presidência da Associação Brasileira dos Exportadores de Manufaturados de Sisal, entidade representativa de um setor importante da economia nordestina.

Nas eleições de 1990, foi eleito deputado federal pela Bahia, inicialmente pelo Partido de Renovação Nacional (PRN), legenda pela qual também foi eleito o então presidente Fernando Collor de Mello.

Durante o exercício do mandato parlamentar, participou de votações relevantes no Congresso Nacional. Em 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura do processo de impeachment contra o presidente Fernando Collor.

Ainda em 1992, retornou ao PMDB, partido pelo qual tentou disputar a Prefeitura de Salvador, candidatura que não obteve êxito.

Votações e posicionamentos no Legislativo

Pedro Irujo foi reeleito deputado federal em 1994 e voltou a conquistar mandato nas eleições de 1998 e 2002, consolidando uma trajetória de quatro legislaturas consecutivas na Câmara dos Deputados.

Ao longo do período em que exerceu atividade parlamentar, participou de debates e votações importantes no cenário político e econômico do país.

Entre suas posições registradas no Congresso destacam-se:

  • Voto contrário ao voto obrigatório
  • Oposição ao Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF)
  • Voto contrário à criação da CPMF em 1996
  • Apoio à quebra do monopólio estatal em telecomunicações, petróleo e gás em 1995
  • Voto favorável à emenda da reeleição para cargos executivos em 1997
  • Apoio à reforma administrativa que alterou a estabilidade do servidor público
  • Participação na comissão especial sobre redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas

Nas discussões da reforma da Previdência no final da década de 1990, votou a favor da adoção de critérios mínimos de idade e tempo de contribuição para trabalhadores do setor privado.

Mudanças partidárias e encerramento da carreira política

Durante sua trajetória no Congresso, Pedro Irujo passou por diferentes legendas. Em 2000, filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL), pelo qual se reelegeu deputado federal nas eleições de 2002.

No ano seguinte, deixou o PFL e ingressou no Partido Liberal (PL), legenda que integrou até 2005. Após um breve período sem filiação partidária, retornou ao PMDB, onde encerrou sua trajetória política em 2007.

Na vida pessoal, foi casado com Irene Rodrigues Irujo, já falecida. O casal teve dois filhos — Luiz Pedro Rodrigues Irujo e Heliete Rodrigues Irujo — e três netos: Pedro Mercês Irujo, Brujo Irujo Sampaio e Victor Irujo Sampaio.


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