
Reportagem de Aguirre Talento e Débora Bergamasco publicada na revista Época desta sexta-feira (17/11/2017) revela que o ex-assessor parlamentar Job Ribeiro Brandão, ex-funcionário de confiança do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB/BA) e do irmão deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB/BA) busca acordo de delação com a força-tarefa do Caso Lava Jato.
Segundo a reportagem, Job Brandão manteve longo relacionamento com a família Vieira Lima. Ele começou a trabalhar como secretário parlamentar do patriarca Afrísio Vieira Lima, que também foi deputado federal, no fim da década de 1980. Depois, passou a ser assessor parlamentar de Geddel, entre 1991 e 2007, quando ele exerceu mandatos de deputado federal, e tornou funcionário de Lúcio Vieira Lima em 2011. Job só foi exonerado por Lúcio, no mês de outubro de 2017, após se tornar um investigado do Caso Lava Jato. A reportagem destaca que com um histórico desses, tinha acesso direto e privou da intimidade dos Vieiras Lima.
A reportagem revela, também, que no depoimento concedido ao delegado Marlon Cajado na terça-feira (14/11), na sede da Superintendência da Polícia Federal da Bahia, em Salvador, Job Ribeiro Brandão revelou que:
Geddel e Lúcio ficavam com 80% do salário de assessor parlamentar;
Por ordem de Geddel Vieira Lima, documentos guardados em propriedades dos Vieira Lima foram destruídos e jogados no vaso sanitário e no lixo;
Foram realizadas ‘coletas’ de dinheiro na sede do Grupo Odebrecht;
Contou parte dos R$ 51 milhões, apreendidos pela PF, em apartamento de posse de Lúcio Vieira Lima e que usualmente contava maços de até R$ 100 mil para Geddel Vieira Lima; e
Diz que guardava dinheiro em espécia no closet do apartamento de Marluce Vieira Lima, mãe de Geddel.
Defesa
“Apesar de figurar nos registros da Câmara dos Deputados como secretário parlamentar, na prática, as atividades de Job se resumiam aos interesses pessoais dos parlamentares e familiares, um verdadeiro empregado doméstico, refém das circunstâncias e obrigado a devolver a maior parte de seu salário, pago pelos cofres públicos”, diz o advogado de Job Ribeiro Brandão.
Esquemas ocultos
É provável que, caso seja aceito como delator, Job Brandão possa esclarecer os elementos que unem Geddel Vieira Lima ao Caso La Vue e a administração do prefeito de Salvador ACM Neto (DEM). Observando que a gestão do alcaide foi responsável por autorizar a construção ilegal de edifício em área de interesse histórico.
Outro elemento que pode ser esclarecido pelo “empregado doméstico de luxo” dos Vieira Lima é a participação do ex-servidor Gustavo Pedreira do Couto Ferraz no esquema de corrupção. Ele foi nomeado pelo prefeito ACM Neto para o cargo de superintendente da Defesa Civil de Salvador (CODESAL) e preso, na condição de servidor do município, durante a 4ª fase da Operação ‘Cui Bono?’, ocorrida em 8 de setembro de 2017. Impressões digitais do ex-servidor da administração de ACM Neto foram encontradas nos R$ 51 milhões apreendidos durante a Operação ‘Tesouro Perdido’, ocorrida em Salvador, em 5 de setembro de 2017.
Uma das possibilidades de questionamento levantado é se parte dos R$ 51 milhões não foram oriundos de possíveis esquemas envolvendo a Prefeitura de Salvador, com a finalidade de acumular riqueza e uso através de caixa 2 para a campanha eleitoral de 2018, decorrente da aliança estabelecida entre o democrata ACM Neto e o peemedebista Geddel Vieira Lima, estabelecida desde as eleições de 2010.
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