Em entrevista ao Le Monde, ex-presidente Lula rejeita etiqueta de “líder populista” e promete referendo contra violações do governo usurpador de Michel Temer

A entrevista com o ex-presidente Lula é publicada na edição impressa do Le Monde datada de 19 e 20 de novembro de 2017.
A entrevista com o ex-presidente Lula é publicada na edição impressa do Le Monde datada de 19 e 20 de novembro de 2017.
A entrevista com o ex-presidente Lula é publicada na edição impressa do Le Monde datada de 19 e 20 de novembro de 2017.
A entrevista com o ex-presidente Lula é publicada na edição impressa do Le Monde datada de 19 e 20 de novembro de 2017.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz em entrevista publicada na edição deste domingo (19/11/2017) do jornal francês Le Monde que está pronto para reassumir o poder na eleição presidencial de 2018. “Ainda posso ajudar os pobres”, afirma o petista, acrescentando que, se for eleito, irá organizar um referendo para “consultar o povo” sobre as reformas econômicas.

Questionado sobre a origem da crise no Brasil, Lula afirma que tudo começou em 2013, quando manifestantes tomaram as ruas para protestar contra a organização da Copa do Mundo e as políticas de inclusão social do governo.

Favorito nas pesquisas para a eleição de 2018, sublinha Le Monde, o ex-presidente reconhece que sua sucessora, Dilma Rousseff, assim como ele, cometeram um “erro gravíssimo”. “Dilma disse que não faria reformas, mas depois ela fez ajustes que atingiram os trabalhadores, dando a eles uma sensação de traição”, explica o petista.

Os adversários teriam, então, tirado proveito dessa situação de “fragilidade” para bloquear as ações do governo no Congresso. Referindo-se ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha como “um homem obscuro”, Lula reafirma que “a destituição de Dilma foi um golpe de Estado”. “Contra Dilma, contra o PT e contra a ideia que eu me reapresente na eleição”, ressalta.

Processos judiciais

Na entrevista, Lula se defende das acusações de corrupção e aproveita para criticar o juiz Sérgio Moro, que em julho deste ano o condenou a quase 10 anos de prisão. “Fui condenado em um processo em que o mesmo juiz reconhece que o apartamento não era meu e que não houve desvio de recursos da Petrobras”, denunciou.

“O juiz Sérgio Moro, refém da mídia, estava condenado a me condenar. Os procuradores, tomados pela megalomania, garantem que o Partido dos Trabalhadores queria o poder para roubar. Eles têm um comportamento de analfabetos políticos”, critica. “A Polícia Federal mente, o procurador mente e o juiz Moro transforma essas mentiras em processos judiciais”, diz o ex-presidente de 72 anos. “A hora da verdade chegará e o PT decidirá”, acrescenta.

Lula espera em liberdade o resultado de seu recurso nesse julgamento. Mas ainda é réu em outros sete processos por delitos que vão de tráfico de influência a associação ilícita.

Temer só destrói, diz Lula, propondo referendo sobre reformas

Sobre o governo de Michel Temer, Lula compara a ação do peemedebista ao personagem interpretado pelo ator americano Arnold Schwarzenegger nos filmes Exterminador do Futuro 1 e 2. “Temer não tem política, não constrói nada, só destrói.” À questão se voltaria atrás em relação às reformas propostas por Temer, Lula diz que consultaria a população por meio de um referendo. “Se eu ganhar as eleições, haverá um referendo para perguntar ao povo a sua opinião”, garantiu. “E este tema será debatido no Congresso”, acrescentou.

Indagado sobre as dificuldades que teria para colocar a economia brasileira nos trilhos, a partir do momento que o ciclo virtuoso das exportações de matérias-primas passou, Lula defende medidas de incentivo ao crédito para fomentar o consumo.

Quando a correspondente do Le Monde, Claire Gatinois, pergunta o que ele pensa dos investidores que o comparam a um líder populista, Lula evoca uma comparação “ridícula e hipócrita”. “O que gera medo neles é que não vou deixar que se venda o patrimônio brasileiro. Não vamos vender a Amazônia, nem a Petrobras, a Eletrobras e os bancos públicos. Eles sabem que vamos privilegiar a produção, e não a especulação”, conclui, afirmando estar pronto para “tomar o poder”.

*Com informações da RFI.


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