O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem ao Encontro de Alto Nível sobre Combate à Fome, realizado na sede da União Africana, em Adis Abeba, Etiópia, após ser impedido de viajar por uma decisão judicial brasileira. Na mensagem, Lula critica a crescente perseguição político-jurídica que tem enfrentado e analisa a fome no mundo, argumentando que o problema não é a falta de alimentos, mas a desigualdade no acesso a eles, causada por um sistema econômico desigual.
Impedimento Judicial e Perseguição Política
Lula foi convidado a participar do evento organizado pela União Africana e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), com a presença de líderes africanos e do secretário-geral da ONU, António Guterres. O objetivo do encontro era avaliar os avanços na luta contra a fome no continente africano, após iniciativas iniciadas em 2013, quando o ex-presidente, juntamente com a União Africana e a FAO, ajudou a definir uma estratégia para erradicar a fome na África até 2025.
Contudo, uma ordem judicial proferida por um juiz brasileiro impediu Lula de viajar, determinando a retenção de seu passaporte. A decisão, que impediu sua participação no evento, foi criticada por aliados políticos e observadores, que a consideraram como mais um capítulo na perseguição política ao ex-presidente, com foco em sua atuação internacional.
A decisão judicial gerou reações no cenário político, com diversos setores da sociedade questionando a imparcialidade do sistema judiciário brasileiro. A medida afetou não apenas a viagem de Lula, mas também o Brasil, ao impedir a representação do país em um evento de relevância internacional para a luta contra a fome. O ex-presidente se manifestou em sua mensagem, afirmando que o impedimento de sua participação foi uma tentativa de enfraquecer sua figura pública e seu engajamento com causas globais, especialmente no combate à fome.
A Fome no Mundo: Causas e Soluções
Em sua mensagem gravada, Lula abordou o tema central do encontro: a fome no mundo. O ex-presidente afirmou que, ao contrário do que muitos pensam, a fome não é causada pela falta de alimentos, mas sim pela falta de dinheiro para que as pessoas mais pobres possam adquiri-los. Para Lula, o mundo produz alimentos em quantidade suficiente, mas a distribuição é desproporcional, refletindo a concentração de riqueza nas mãos de poucos. Ele criticou o sistema financeiro global, que movimenta trilhões de dólares em especulação financeira, enquanto milhões de pessoas não têm acesso ao básico para sua sobrevivência.
A fala de Lula remete à experiência brasileira na luta contra a fome, uma política pública que foi referência mundial durante seu governo e que continua a ser compartilhada com outros países, especialmente na África e América Latina. Durante seu mandato, foram implementados programas como o Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que tiveram grande impacto na redução da pobreza e da fome no Brasil, e serviram de modelo para diversas nações. A ênfase do ex-presidente foi em como a luta contra a fome deve ser parte de um esforço global para transformar as estruturas econômicas e políticas que sustentam a desigualdade.
Lula reforçou ainda que, em 2013, com a colaboração da União Africana e da FAO, o Instituto Lula foi fundamental para promover a troca de experiências com os países africanos. Naquele ano, a reunião teve como resultado a implementação de programas de combate à fome em pelo menos quatro países africanos, utilizando o modelo brasileiro de políticas públicas. Lula lamentou o fato de que sua presença no evento de 2018, para avaliar os avanços e renovar compromissos, tenha sido impedida.
A Relevância do Encontro e a Participação de Lula
O Encontro de Alto Nível sobre Combate à Fome, realizado em Adis Abeba, contou com a presença de diversos líderes e especialistas, incluindo o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o diretor-geral da FAO, José Graziano. A discussão tinha como objetivo revisar os progressos feitos desde a reunião de 2013 e definir novos compromissos para enfrentar a fome no continente africano. Lula, que recebeu o World Food Prize em 2011, uma das mais altas honrarias no campo da alimentação, seria uma figura central no evento. Sua ausência foi sentida, especialmente pela representação brasileira, que tradicionalmente tem tido um papel destacado em discussões globais sobre segurança alimentar.
O ex-presidente, com seu histórico de comprometimento com a causa da erradicação da fome, foi chamado para compartilhar suas experiências, discutir as lições aprendidas com as políticas públicas no Brasil e incentivar os países africanos a seguir no caminho de políticas inclusivas de combate à pobreza e à fome. Lula tem se empenhado ao longo dos anos em levar o modelo brasileiro de combate à fome para diversas nações, principalmente na África, onde a questão é particularmente grave.
Repercussões Políticas e Jurídicas
A decisão que impediu a viagem de Lula gerou um debate jurídico e político no Brasil. Muitos consideraram a medida excessiva, uma vez que a proibição de um ex-presidente de viajar para representar o país em um evento internacional contradiz o princípio de imunidade diplomática e prejudica os interesses do Brasil em um fórum global. As críticas à decisão judicial aumentaram, com observadores apontando que a ação faz parte de um contexto de perseguição política, que visa limitar a atuação de Lula tanto no país quanto no cenário internacional.
Lula, por sua vez, usou sua mensagem para reforçar que sua luta pelo combate à fome e pela justiça social continua, independentemente dos obstáculos impostos pela justiça brasileira. Ele também enfatizou que a luta contra a desigualdade é mais urgente do que nunca, já que a fome e a pobreza são problemas que não podem ser resolvidos sem um compromisso global em promover a redistribuição de recursos e o acesso a direitos fundamentais.
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