Salvador: Casa do Benin recebe exposição itinerante Aféto, do fotógrafo paulista Roger Cipó

Fotografia que compõe a exposição AFÉTO.
Fotografia que compõe a exposição AFÉTO.

A Casa do Benin, espaço cultural gerido pela Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador, recebe a exposição itinerante Aféto, mostra fotográfica que vem percorrendo o país e chama atenção para as relações de afeto constituídas dentro dos terreiros de Candomblé, a partir do olhar do fotógrafo Roger Cipó, com curadoria de Marco Antonio Teobaldo. A abertura acontece nesta terça-feira (23/01/2018), às 18 horas.

Aféto foi lançada no Festival de Fotografia do Rio de Janeiro (FOTORio 2017), Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea. Em seguida, promoveu uma temporada na Aparelha Luzia – quilombo urbano de circulação de artes pretas em São Paulo. Em Salvador, a exposição abre temporada a partir do dia 23, ficando até 3 de março, de segunda a sexta-feira, das 10 às 17 horas – aberta ao público, gratuita.

Ao percorrer dezenas de terreiros no estado de São Paulo e Rio de Janeiro, e vivenciar as diferentes manifestações de fé afro-brasileira, Cipó apresenta raras e delicadas imagens revelando a interação dos fiéis entre si, como uma família ao redor de suas obrigações sagradas, e durante as cerimônias, quando os orixás manifestam seu afeto por meio de suas sacerdotisas e sacerdotes. Um novo olhar para as práticas pretas de fé, sob a ótica de um fotógrafo, que no candomblé, é Alabê (responsável pela orquestra dos atabaques).

De acordo com o artista, que na abertura receberá fotógrafos, fotógrafas e público para um bate papo sobre fotografia preta, mais que um registro documental sobre um aspecto específico do Candomblé, o trabalho reitera a importância das relações interpessoais como forma de resistência da cultura afro-brasileira e fortalecimento da identidade do povo de axé, a partir da experiência de fé nos orixás, evidenciando o terreiro como espaço de acolhimento, em resposta a uma cultura de segregação e ódio fomentado pelo racismo.

AFÉTO em reflexão ao Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa

A mostra teve grande repercussão inicial ao ser exibida sobre o sítio arqueológico do Cemitério dos Pretos Novos, e chega a Salvador na semana do Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, data escolhida para relembrar a memória de Mãe Gilda de Ogum. Símbolo da luta pela liberdade religiosa dos povos de terreiro, a Ialorixá Gilda dos Santos faleceu em 21 de janeiro de 2000 em decorrência das diversas violências sofridas após ter seu rosto estampado em um jornal evangélico a acusando de charlatã. O crime de ódio seguiu de agressões físicas a seus filhos de santo, invasões ao seu terreiro, Abassa de Ogum, o que agravou o estado de saúde da sacerdotisa, provocando sua morte. Para o fotógrafo e as organizações responsáveis pela realização, AFÉTO traz uma mensagem de respeito a fé, por uma cultura de paz e liberdade de crença.

Agenda

Abertura: 23 de janeiro, às 18 horas

Visitação: 24 de janeiro a 3 de março – de segunda à sexta-feira, das 10 às 17 horas

Endereço: Rua Padre Agostinho Gomes, 17 – Pelourinho – Salvador


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