Eleições 2018: A solução para o Brasil é candidatura de Lula à presidência, afirma Adolfo Pérez Esquivel Nobel da Paz

O arquiteto e ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, de 86 anos, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1980, reiterou suas críticas à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que define como “golpe de Estado no Brasil”. As suas opiniões foram expressas nesta terça-feira (05/06/2018) em Roma, durante a apresentação do “Apelo à resiliência e à esperança nas lutas por justiça e por democracia no século XXI”. A cerimônia, feita com o líder budista e escritor japonês Daisaku Ikeda, tem o objetivo de despertar a consciência dos jovens.

O ativista e criador da associação Serviço Paz e Justiça, que promove uma cultura de não-violência baseada nos direitos humanos, confirmou em entrevista que vai apresentar em setembro de 2018 a candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz em 2019. A campanha, lançada por Esquivel em abril pelo site Change.org, já conseguiu 309 mil assinaturas.

“Lula tirou mais de 36 milhões de brasileiros da pobreza. Ele também deu dignidade à vida dessas pessoas, além de educação e saúde. A dignidade é o primeiro passo para a liberdade. O que Lula fez é único na história”, afirmou.

Esquivel também falou do seu afeto pelo país. “O Brasil é a minha segunda pátria. Estive preso em São Paulo durante a ditadura militar brasileira e fui libertado graças à intervenção do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Conheci Lula há muitos anos, por volta de 1981, quando ele era dirigente sindical no ABC”, lembra.

“Hoje os grandes problemas do Brasil são a pobreza, a marginalidade e a violência. Estive com os companheiros e companheiras de Mariella Franco. É uma gente maravilhosa que tenta superar a pobreza através da solidariedade.”

“Lula é um preso político de um governo ilegítimo”

Na última vez que esteve no Brasil, em 18 de abril deste ano, Esquivel pediu autorização, junto com o teólogo Leonardo Boff, para visitar Lula na Polícia Federal de Curitiba. Na ocasião, a juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela custódia do ex-presidente, negou o consentimento.

“Vou pedir de novo aos juízes a autorização para visitar Lula na próxima vez que eu for ao Brasil. Estão tentando destruí-lo. Somente permitem que ele tenha contato com sua família e com os advogados”, lamenta. “O golpe contra Dilma Rousseff foi para neutralizar Lula. Sergio Moro não tem nenhuma prova para colocá-lo na prisão”, denuncia Esquivel.

“É preciso explicar isso aqui na Europa porque há uma versão equivocada feita pela grande mídia, que é cúmplice no golpe de Estado contra Dilma Rousseff e Lula. É preciso trabalhar para mudar esta mentalidade porque Lula é um preso político de um governo ilegítimo.”

Apelo aos jovens

Segundo Esquivel, a solução seria a candidatura de Lula à Presidência da República nas próximas eleições em outubro – decisão que cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Se Lula conseguisse ser candidato e vencesse no Brasil, isso mudaria o panorama latino-americano, coisa que os Estados Unidos não querem”, decreta.

“Passei pela prisão, pela tortura, sobrevoei a morte e sou um sobrevivente. Não me mataram por causa das campanhas internacionais da Europa, da América Latina, dos Estados Unidos e do Canadá. Até a família Kennedy fez um pedido a favor da minha liberdade e de minha vida, caso contrário eu seria um desaparecido a mais”, declara. “Hoje posso contar o que aconteceu comigo, mas muitos companheiros não tiveram a mesma chance”,

Aos jovens de todo o mundo, Adolfo Pérez Esquivel e o Mestre Budista Daisaku Ikeda deixaram o “testemunho à defesa dos Direitos Humanos, da Paz e do Desenvolvimento Sustentável”, documento entregue durante o evento em Roma. De acordo com o Nobel da Paz, o texto é um ato de confiança na capacidade dos jovens de identificar e percorrer novos caminhos e resgatar o legado do passado para enfrentar os desafios do futuro.

*Com informações de Gina Marques, da RFI.


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