MPs recomendam que Secretaria de Educação e universidades garantam a liberdade de pensamento e ensino; objetivo é evitar que professores e alunos sejam ameaçados ou censurados em razão de divergências políticas e ideológicas

MPF emite recomendação do para que Secretarias da Educação e Universidades garantam a liberdade de pensamento e ensino.
MPF emite recomendação do para que Secretarias da Educação e Universidades garantam a liberdade de pensamento e ensino.

Os Ministérios Públicos (MPs) Federal (MPF) e do Estado da Bahia (MPBA) recomendaram, na última terça-feira, 30 de outubro, ao secretário de Educação do Estado da Bahia, e aos representantes legais das instituições públicas de ensino superior do estado que adotem medidas efetivas para garantir a liberdade de pensamento, ensino, aprendizado, e o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas. O objetivo dos órgãos é evitar que professores e alunos sejam ameaçados ou censurados em razão de divergências políticas e ideológicas.

Na recomendação, de autoria do procurador regional dos Direitos do Cidadão na Bahia, Gabriel Pimenta Alves, e da promotora de Justiça Márcia Teixeira, foram destacadas declarações de políticos, veiculadas na imprensa baiana, expressando a intenção de controlar o conteúdo ministrado em sala de aula, em função de divergências políticas e ideológicas, bem como ameaças e violência contra alunos, com a mesma motivação. Para os MPs, as iniciativas ofendem a liberdade de cátedra e podem estimular o assédio moral e a intimidação dos professores, com risco de censura indireta. Os órgãos ainda argumentam que é inconstitucional a intimidação e ameaça contra profissionais da educação e estudantes motivadas por conflitos ideológicos.

O artigo 206 da Constituição Federal estabelece que o ensino deve ser ministrado com base na liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber (Inciso II), no pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas (Inciso III) e na gestão democrática do ensino público (Inciso VI). “A tentativa de obstar a abordagem, a análise, a discussão ou o debate acerca de quaisquer concepções filosóficas, políticas, religiosas, ou mesmo ideológicas – que não se confundem com propaganda político-partidária -, desde que não configurem condutas ilícitas ou efetiva incitação ou apologia a práticas ilegais, representa flagrante violação aos princípios e normas acima referidos”, ressaltam os Mps na recomendação.

As instituições têm o prazo de 10 dias, a contar da data de recebimento, para se manifestar acerca do acatamento ou não da recomendação. Em caso positivo, devem enviar ainda o cronograma com as medidas a serem adotadas.

Conceito de Recomendação do MPF

O que acontece agora? A recomendação é um instrumento de atuação extrajudicial do Ministério Público que busca garantir a aplicação da lei solucionar demandas de interesse coletivo de maneira rápida, evitando a judicialização em função dos prazos e etapas previstos em lei até o julgamento definitivo de um processo. Agora, os MPs aguardarão o envio da resposta, pelas instituições, indicando o acatamento ou não da recomendação. A partir daí, o procurador e a promotora analisarão as providências adotadas e poderão seguir acompanhando a situação e se for o caso, mover ação requerendo judicialmente a regularização de eventuais problemas relacionados à atuação.

Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) – é responsável pela atuação em prol da proteção e defesa dos direitos fundamentais como a liberdade, igualdade, dignidade, saúde, educação, assistência social, acessibilidade, segurança pública, o direito à informação e à livre expressão, entre outros. Saiba mais sobre a PRDC na Bahia.

Baixe

Recomendação do MPF para que Secretarias da Educação e Universidades garantam a liberdade de pensamento e ensino


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.