Chapa liderada pelo jornalista Domingos Meirelles denuncia ilegalidade na eleição da ABI e recomenda boicote ao pleito

Na quarta-feira (15/05/2019), a Chapa 1 ‘ABI para Todos’, liderada pelo jornalista Domingos Meirelles, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), divulgou uma nota pública denunciando irregularidades na convocação e organização da eleição da entidade, marcada para esta quinta-feira (16/05/2019), das 10h às 20h. O grupo recomenda o boicote ao pleito, alegando que ele fere o estatuto da instituição e teria sido articulado de forma precipitada e sem respaldo jurídico.

A nota da Chapa 1 destaca que a convocação da eleição foi feita de forma abrupta por Fichel Davit Chargel, que, segundo o comunicado, assumiu indevidamente a presidência da Assembleia Geral Ordinária (AGO) e marcou a eleição “sem qualquer amparo legal”, conforme o texto da manifestação. A assembleia que autorizou o processo teria sido realizada em 13/05/2019, apenas três dias após a convocação, feita na sexta-feira anterior.

De acordo com a denúncia, a condução do processo fere diretamente o Estatuto da ABI, desrespeitando prazos regimentais e configurando o que foi qualificado como uma “mistificação” por parte da coordenação da Chapa 1.

Acusações contra Fichel Davit Chargel

A Chapa 1 afirma que esta não é a primeira vez que Chargel recorre a “expedientes espúrios” para se manter no controle da ABI. Como exemplo, menciona o episódio de 2013, quando, segundo o grupo, ele teria impedido a posse do vice-presidente Tarcísio Holanda, logo após a morte do então presidente Maurício Azêdo, assumindo o comando da instituição sem consenso.

O jornalista Daniel Mazola, que integrou o Conselho Deliberativo da ABI na ocasião, também manifestou-se contra a condução atual do pleito, reforçando que o processo eleitoral está sendo realizado “fora dos padrões e prazos estatutários” e sob motivação de interesses pessoais.

Três chapas disputam o comando da ABI

Apesar da recomendação da Chapa 1 pelo boicote à eleição, três grupos foram formalmente inscritos para a disputa do comando da entidade no triênio 2019-2022:

  • Chapa 1 – ABI para Todos, liderada por Domingos Meirelles;

  • Chapa 2 – ABI: Luta pela Democracia, encabeçada por Paulo Jeronimo de Sousa (Pagê);

  • Chapa 3 – Barbosa Lima Sobrinho, liderada por Carlos Augusto Martins de Aguiar.

A eleição, caso realizada, definirá a composição do novo Conselho Diretor da Associação Brasileira de Imprensa, entidade fundada em 1908 e considerada um dos pilares históricos da defesa da liberdade de expressão no país.

Trechos da nota da Chapa 1

Em sua comunicação oficial, a Chapa 1 afirma:

“Não podemos coonestar com essa mistificação que envergonha a todos nós. […] Assumiu o comando da ABI em nome da Chapa 2, sob alegação de que o mandato da atual Diretoria estava extinto.”

A nota conclui com a seguinte declaração:

“A Chapa 1 ABI PARA TODOS aguarda que a Justiça restabeleça a ordem legal na instituição para que sejam marcadas novas eleições sem os vícios que maculam o pleito marcado para esta quinta-feira.”

Análise crítica do processo eleitoral

A denúncia feita por Domingos Meirelles e seus apoiadores revela um quadro de instabilidade institucional na ABI, marcado por disputas internas e questionamentos sobre a lisura do processo eleitoral. A suposta antecipação dos prazos, sem consulta ampla aos associados, levanta dúvidas sobre a validade jurídica do pleito e pode comprometer a legitimidade da futura gestão.

Caso confirmadas as irregularidades denunciadas, é possível que a eleição da ABI venha a ser judicializada, o que aprofundaria o desgaste da entidade no cenário nacional da imprensa. A ausência de uma mediação institucional efetiva evidencia a necessidade de reformas estatutárias que assegurem maior transparência e previsibilidade aos processos internos da entidade.

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