Os protestos que irrompem na América Latina, decorrentes do empobrecimento da população com a adoção de política neoliberal por governos de direita e extrema-direita, evidenciam o fracasso da adesão a ideologia do liberalismo econômico nas políticas dos Estados-Nação.
No contexto do debate, durante o #PapoCorreira desta terça-feira (22/10/2019), o governador Rui Costa (PT-BA) pontuou a crise social do Chile, ao questionar: Como podemos dar bem-estar as pessoas? Como podemos aumentar a produção incluindo as pessoas?
Segundo Rui Costa, o que acontece no Chile é um exemplo de política neoliberal, que exclui direitos sociais de parcela significativa da população. Essa política provoca crise social e convulsiona a sociedade à protestos pela defesa da dignidade de vida.
O governante lembra que o dever do Estado para com o povo é o de criar condições dignas de vida, que conduza a um bem-estar generalizado, ao mesmo tempo em que se preserva a natureza.
O neoliberalismo como ideologia sem base empírica
No contexto da crítica do governador Rui Costa, em artigo publicado no Jornal Grande Bahia nesta terça-feira (22) com título ‘O neoliberalismo não deu certo nos países ditos desenvolvidos’ — publicação de autoria pesquisador Clóvis Roberto Zimmermann, doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) — aborda a questão, ao apresentar dado sócio-histórico que evidencia a ampliação dos gastos dos países da economia central do capitalismo, com políticas sociais que objetivam promover o bem-estar da população.
— As recentes ondas de protestos contra as tentativas de implantar medidas neoliberais na América Latina demonstram que esse tipo de política encontra pouca ou quase nenhum apoio popular na região. O grande dilema da América Latina é trilhar caminhos inexistentes nos países ditos desenvolvidos, uma vez que os países centrais não adotam esse tipo de política. O que vemos nesses países é uma consolidação muito robusta de um Estado generosamente atuante em diversas áreas, especialmente na área social. O Estado de Bem-Estar social continua vigoroso, bastante generoso e responsável por um volume considerável de gastos públicos, em torno de 30 por cento dos gastos em relação ao PIB. Assim, a Inglaterra iniciou o ano de 1900 investindo apenas 2,6 % de seu PIB na área social, enquanto que em 2015 os gastos sociais saltaram para 28,6% de seu PIB. Interessante é que na era Thatcher houve um aumento dos gastos sociais nesse país. Enquanto que em 1980, início do governo de Thatcher, a Inglaterra gastava 21,5% do PIB na área social, em 1991, logo após o término do governo, esse país gastava 24,7% do PIB na área social. De lá pra cá tivemos um aumento dos gastos, que hoje representam quase 30% do PIB. — Diz Clóvis Roberto Zimmermann.
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