Depois de ofensa do presidente Jair Bolsonaro, Paulo Freire vai ser homenageado pelo Senado

Requerimento de homenagem póstuma à Paulo Freire partiu de Weverton Rocha líder do PDT no Senado.
Requerimento de homenagem póstuma à Paulo Freire partiu de Weverton Rocha líder do PDT no Senado.

O Senado respondeu à ofensa do presidente Jair Bolsonaro ao educador Paulo Freire com a aprovação de uma sessão especial em homenagem ao patrono da educação brasileira. O requerimento partiu do líder do PDT, senador Weverton (PDT-MA), com outros senadores, e foi aprovado no início da tarde desta terça-feira (17/12/2019).

Ao debater a iniciativa, os senadores condenaram Bolsonaro, que chamou Freire de “energúmeno”, nesta segunda-feira (16), quando saía da residência oficial do Palácio da Alvorada. Na ocasião, ele também declarou que a programação da TV Escola “na verdade deseduca os brasileiros”.

O senador Fabiano Contarato (Rede-AP) fez duras críticas ao presidente e chegou a pedir a renúncia do chefe do Executivo. Para o representante do Espírito Santo, Jair Bolsonaro faria muito bem se renunciasse, não só aos brasileiros, mas à população mundial.

— Energúmeno é um presidente misógino, preconceituoso, sexista, homofóbico, racista, que passa uma reforma da Previdência para aumentar a desigualdade, que só beneficia banqueiros, empresários e a União e que só tem como objetivo tirar direito dos mais pobres. Energúmeno é um presidente que não age como um verdadeiro estadista; que não sabe respeitar as instituições […] Agora, não chame Paulo Freire, não ouse pronunciar o nome dele. Acho que o presidente tinha que limpar a boca antes de falar no nosso mestre da educação — protestou.

Contarato disse que não poderia se calar diante disso e recomendou que Bolsonaro leia algumas obras, como Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Indignação, e lembrou que há professores ganhando R$ 900 em alguns estados, “profissionais que são verdadeiros missionários na luta por uma causa nobre”.

— É necessário que esta Casa marque a sua função, ponha a sua digital para corrigir isso, porque um presidente que flerta com AI-5, que não reconhece a ditadura e que ainda ousa falar que, se um ministro dele tiver qualquer conduta desvirtuosa ele deveria ser pendurado num pau de arara — que é comportamento típico de tortura — isso não o credencia a ser um verdadeiro estadista. Eu tenho vergonha do nosso presidente da República – disse.

Escuridão

O senador Weverton, por sua vez, lembrou que Paulo Freire dedicou toda a sua vida à causa social e reconhecê-lo é reconhecer a história do Brasil, algo que Jair Bolsonaro não sabe fazer.

— Não é apenas a parte de dentro dos muros das universidades que precisa se indignar com tamanha agressão ao mestre da educação, mas qualquer homem e mulher que sabem que um dia nós podemos ser melhores se nós praticarmos o bem. E praticar o bem é apoiar, de forma intransigente, não só a educação, mas também defender os educadores — completou.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também saiu em defesa de Paulo Freire ao dizer que ele é o brasileiro mais homenageado em todos os tempos, reconhecido pela Unesco não somente pela condição humana, mas pela obra em prol da educação:

— Paulo Freire é reconhecido pela Unesco, não como homem, não somente pela sua condição humana, mas, em especial, pela obra que ele empreendeu para a educação, principalmente dando luz a uma teoria nova, chamada Pedagogia do Oprimido. Quem é Paulo Freire? Quem é o senhor Jair Bolsonaro? O lugar de um, o panteão dos heróis da história; o lugar de outro, a lata do lixo da história, para onde ele caminha a passos largos — sentenciou.

Mais homenagens

Nesta terça-feira (17), foram apresentados também requerimentos para realização de sessões especiais destinadas a homenagear a imigração japonesa, o turismo ecológico e o líder espírita Divaldo Franco.

*Com informações da Agência Senado.


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