Em anomia, categoria formulada por Émile Durkheim (1858-1917) nas obras ‘Da divisão do trabalho social’ (1893) e ‘Suicídio’ (1897), o pensador social francês teoriza que ela expressa o estado de uma sociedade, observado a partir das situações em que ocorre o enfraquecimento dos vínculos sociais e perda da capacidade de obedecer regras que permitam regular os comportamentos dos indivíduos, para uma coexistência pacífica. Em síntese, é a ausência do cumprimento das ‘normas sociais’, que existem com a função de regular o convívio marcado pela ‘solidariedade’.
“O estado de anomia é impossível onde os órgãos solidários estão em contato suficiente e suficientemente prolongado. Com efeito, ao ser contíguo a todo o momento percebem a necessidade que têm uns dos outros e, por conseguinte, têm um sentimento vivo e contínuo e sua mútua dependência.”, explica Émile Durkheim.
O texto introdutório objetiva apresentar uma afirmação analítica sobre o estado da comunidade de Feira de Santana, incluindo a atuação dos servidores públicos, e de que forma esse comportamento corrompe os elos de solidariedade e regramento observados nas dinâmicas sociais e na infraestrutura do município.
Exemplo sintomático é observado em um vídeo enviado nesta sexta-feira (29/11/2019) ao Jornal Grande Bahia (JGB). A narrativa fílmica capta o momento em que um veículo é arrastado pelas ruas de Feira de Santana por um guincho, com auxílio de agentes de trânsito. Ocorre que a operação, feita com evidente irregularidade, colocou em risco os transeuntes e o patrimônio privado do proprietário do veículo. Pessoas, indignadas, criticavam a atuação dos servidores do município e a forma como o procedimento era realizado.
O argumento seguinte demonstra como esse é um caso clássico de anomia social. Porque é ilustrativo de como a recorrência do arbítrio se tornou fenômeno social em Feira de Santana.
Por um lado, possivelmente, o cidadão descumpriu as Leis de Trânsito e teve o veículo apreendido por uma equipe da Superintendência Municipal de Trânsito (SMTT). Do outro lado, agentes de trânsito, acreditando que estavam cumprindo a Lei, adotaram procedimentos ilegais que violaram o patrimônio privado. Por fim, observando criticamente o episódio, membros da comunidade gritavam contra as arbitrariedades dos agentes de trânsito e em defesa do patrimônio privado.
No caso analisado, estão dados os elementos que evidenciam a anomia social em Feira de Santana. Porque o episódio está articulado com outras práticas sociais que corrompem o conceito de solidariedade social, esgaçam as relações estabelecidas e a infraestrutura do município.
Não obstante, é recorrente a dificuldade na qual governantes tem que agir contra cidadãos e servidores que descumprem a Lei. Nesse estado anômico, a solução apenas será obtida se os membros da comunidade seguirem a centralidade do ordenamento, objetivando a paz social. Mas esse é um conceito distante para parte significativa dos membros da comunidade de Feira de Santana.
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