Chefe da SECOM Fabio Wajngarten recebe dinheiro de esquema de TVs e agências contratadas pelo Governo Bolsonaro; Políticos reagem às denúncias do Jornal Folha de S.Paulo e apontam corrupção e improbidade administrativa 

Ao mesmo tempo em que é chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Fabio Wajngarten recebe, por meio de uma empresa da qual é sócio, dinheiro de emissoras de TVs e agências contratadas pelo governo de Jair Bolsonaro. Entre elas, estão Band e Record, as duas emissoras que mais vêm recebendo verba publicitária da Secom. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com reportagem divulgada nesta quarta-feira (15/01/2020), desde 2019, quando assumiu o comando da pasta, Wajngarten se mantém como principal sócio da FW Comunicação e Marketing, responsável por fornecer estudos de mídia para TVs e agências, como mapas de anunciantes do mercado, além de averiguar se peças publicitárias contratadas foram veiculadas. Pelo menos cinco empresas que recebem do governo Bolsonaro são atendidas pelos serviços da FW.

O dinheiro público é distribuído a essas emissoras e agências por meio de verbas publicitárias, destinadas pela Secom, responsável pelo controle na distribuição de todos os órgãos federais. Ao todo, R$ 197 milhões foram gastos em campanhas no ano passado.

“Corrupção no governo: vai ter manifestação na Avenida Paulista dos seguidores do Bolsonaro contra isso?”, ironizou o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pelo Twiiter.

Segundo a legislação, é proibido que integrantes da cúpula do governo mantenham negócios com pessoas físicas ou jurídicas que possam ser afetadas por suas decisões, por configurar conflito de interesses. O chefe da Secom, no entanto, nega que o acúmulo dos dois cargos tenha tal implicância.

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questiona Wajngarten. “Conflito de interesses? Corrupção? Improbidade administrativa? A certeza é que a mamata não teve fim!”, afirma o senador em suas redes sociais. Paulo Teixeira também chegou a publicar que especula a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias do jornal.

Também pelo Twitter, o Psol se manifestou sobre a reportagem, questionando ainda as emissoras que, sob comando do atual chefe da Secom, passaram a receber fatias maiores da verba publicitária do governo Bolsonaro para as TVs abertas, assim como o SBT. A reportagem lembra que o Tribunal de Contas da União (TCU) já investiga se o governo tem distribuído conforme critérios políticos, favorecendo as mídias alinhadas ao seu mandato.

“Sabe o que significa, né? Mamata”, contestou o Psol em seu perfil.

*Com informações de Clara Assunção, da RBA e do Jornal Folha de S.Paulo.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading