
A crise do coronavírus, do ponto de vista econômico, colocou o mundo em estado de guerra. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), vai levar anos para se recuperar do impacto dessa pandemia. O choque econômico atual é maior do que a crise financeira de 2008 e da de 2001, após os ataques de 11 de setembro, nos Estados Unidos.
Todo o problema está no desemprego, que deverá aumentar após o isolamento social e a suspensão das atividades comerciais. De igual modo, ninguém sabe como fazer para salvar as pequenas e médias empresas que já estão praticamente na falência. A Inglaterra, por exemplo, anunciou que pagará parte dos salários dos trabalhadores e empresários durante a crise. E o Brasil? Tem condições de fazer o mesmo?
Para piorar a situação, a saída de Sergio Moro do governo trouxe incertezas sobre a continuidade dos projetos de reformas e aumentou o pessimismo em uma atividade já recessiva. Segundo Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), “Depois da saída do ministro da Justiça, a capacidade de o governo (Bolsonaro) fazer qualquer coisa é muito baixa”.
A escolha de Paulo Guedes para lidar com a área econômica fez a administração Bolsonaro assumir um tom reformista e liberal nas suas propostas, o que foi visto como uma das bases de desenvolvimento bolsonarista. A incerteza ganhou novos contornos depois do lançamento do programa Pró-Brasil.
O plano de retomada econômica para superar a crise prevê a aplicação de R$ 30 bilhões em investimentos em área pública para gerar 1 milhão de empregos. Guedes não compareceu ao lançamento da proposta, embora seja o único “homem que pode falar sobre economia”, segundo Bolksonaro.
O aparecimento do coronavírus pegou o mundo de surpresa. A doença misteriosa que surgiu em dezembro na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, na China, espalhou-se rapidamente pelos cinco continentes, assustando os profissionais da saúde pela facilidade de contágio e letalidade, especialmente entre os idosos. Só no Brasil temos 63.584 casos confirmados com 4.300 mortes.
Nesse cenário de medo e instabilidade, os governos têm colocado suas armas para tentar evitar um colapso na economia, propondo medidas de contenção de perdas e de estímulo antes inimagináveis. O pico da pandemia ainda não chegou, e é impossível prever sua evolução.
A única chance é a união e a paz social, pois somente um esforço conjunto de todos os agentes pode evitar o pior. Por enquanto, as previsões são péssimas. O coronavírus destruiu tudo, principalmente a economia. O que vem depois ninguém sabe; muito menos Paulo Guedes, por mais competente que seja.
*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

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