Chega de guerras e armas, porque é de pão que as pessoas precisam, diz Papa Francisco na Vigília Pascal

Papa Francisco na Vigília Pascal
Papa Francisco na Vigília Pascal
Papa Francisco na Vigília Pascal
Papa Francisco na Vigília Pascal

A Basílica de São Pedro recebeu a missa deste Sábado Santo (11/04/2020) sem a presença dos fiéis e nem a celebração dos batismos, mas com uma atmosfera sóbria e propícia para celebrar a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. As mudanças do Departamento de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice são referentes às medidas de restrição impostas pela pandemia do Covid-19.

A cerimônia inicial com a Bênção do Fogo foi realizada atrás do altar da Confissão, sem luzes aos presentes, que só foram acesas durante a procissão ao altar da Cátedra, com a interpretação do canto das três invocações “Lumen Christi”.

Na homilia da missa deste Sábado Santo, Francisco motivou a sermos peregrinos em busca da esperança de Deus, que até do túmulo fez sair vida. Ao nos encorajar a dar as costas à morte e a abrir o coração à vida, de Jesus ressuscitado, o Papa fez forte apelo ao desarmamento e ao fim das guerras: “façamos calar os gritos de morte: de guerras, basta! Pare a produção e o comércio das armas, porque é de pão que precisamos, não de metralhadoras”.

Sábado Santo: dia de grande silêncio

O Papa Francisco começou a homilia comentando sobre a ansiedade, descrita no Evangelho (Mt 28, 1) da Vigília Pascal, de se passar “da cruz de sexta-feira à aleluia de domingo”. Neste ano, disse o Pontífice, mais do que nunca o Sábado Santo é de grande silêncio e reflexão, assim como as mulheres que foram ao sepulcro:

“Como nós, tinham nos olhos o drama do sofrimento, de uma tragédia inesperada, que se verificou muito rapidamente. Viram a morte e tinham a morte no coração. À amargura, juntou-se o medo: acabariam, também elas, como o Mestre? E depois os receios pelo futuro, carecido todo ele de ser reconstruído. A memória ferida, a esperança sufocada. Para elas, era a hora mais escura, como o é hoje para nós.”

Em vez de cederem à lamentação e ao pessimismo, explicou o Papa, as mulheres enfrentaram a situação e realizaram “algo simples e extraordinário”, ao preparar perfumes para o corpo de Jesus, preparando também “o dia que havia de mudar a história”: elas “não renunciam ao amor: na escuridão do coração, acendem a misericórdia”.

“Jesus, como semente na terra, estava para fazer germinar no mundo uma vida nova; e as mulheres, com a oração e o amor, ajudavam a esperança a desabrochar. Quantas pessoas, nos dias tristes que vivemos, fizeram e fazem como aquelas mulheres, semeando brotos de esperança com pequenos gestos de solicitude, de carinho, de oração!”

O direito à esperança

Ao amanhecer, as mulheres foram ao sepulcro e, através do anjo e diante do túmulo, ouviram palavras de vida. Depois, quando encontraram Jesus, também encontraram o anúncio de esperança, disse o Papa. E o Pontífice acrescentou:

“Nesta noite, conquistamos um direito fundamental, que não nos será tirado: o direito à esperança. É uma esperança nova, viva, que vem de Deus. Não é mero otimismo, não é uma palmada nas costas nem um encorajamento de circunstância. É um dom do Céu, que não podíamos obter por nós mesmos. Tudo vai ficar bem: repetimos com tenacidade nestas semanas, agarrando-nos à beleza da nossa humanidade e fazendo subir do coração palavras de encorajamento. Mas, à medida que os dias passam e os medos crescem, até a esperança mais audaz pode desvanecer. A esperança de Jesus é diferente. Coloca no coração a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois até do túmulo faz sair a vida.”

O túmulo, lembrou o Papa, um lugar de onde “quem entra, não sai. Mas Jesus saiu para nós, ressuscitou para nós, para trazer vida onde havia morte”. Uma história de esperança que deve nos ajudar a não ceder “à resignação”: “não coloquemos uma pedra sobre a esperança”, disse Francisco.

“Minha irmã, meu irmão, ainda que no coração tenhas sepultado a esperança, não desistas! Deus é maior. A escuridão e a morte não têm a última palavra. Coragem! Com Deus, nada está perdido.”

O recomeço: pela Galileia ou depois das crises

O Papa Francisco falou da importância dessa coragem, sempre motivada por Jesus nos Evangelhos, e que a encontramos quando abrimos o coração. É, então, o momento do envio para a Galileia, do anúncio pascal e da esperança, da “certeza nas nossas incertezas, da Palavra nos nossos silêncios”:

“Voltar à Galileia é lembrar-se de ter sido amado e chamado por Deus. Precisamos retomar o caminho, lembrando-nos de que nascemos e renascemos a partir de uma chamada gratuita de amor. Esse é o ponto de onde recomeçar sempre, sobretudo nas crises, nos tempos de provação.”

Apelo ao desarmamento

Voltar à Galileia, uma região distante geograficamente de Jerusalém e habitada “por povos diferentes, que praticavam vários cultos”, também tem outro significado para nós. O Papa procurou mostrar que o “cântico da vida” e o “anúncio da esperança” não devem ficar confinados “nos nossos recintos sagrados”, mas precisam ser levados a todos, através de verdadeiros “anunciadores de vida em tempo de morte!”.

Ao finalizar a homilia, o Papa fez um forte apelo ao desarmamento, ao fim das guerras e dos abortos. Como “peregrinos em busca de esperança”, Francisco encorajou a dar às costas à morte e a abrirmos o coração à vida, que é Jesus ressuscitado:

“Façamos calar os gritos de morte: de guerras, basta! Pare a produção e o comércio das armas, porque é de pão que precisamos, não de metralhadoras. Cessem os abortos, que matam a vida inocente. Abram-se os corações daqueles que têm, para encher as mãos vazias de quem não dispõe do necessário.”


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