Presidente Jair Bolsonaro vai a STF com empresários e reclama de medidas restritivas dos estados

Presidente Jair Bolsonaro com empresários se dirige ao STF, como uma tentativa de constranger a Corte de Justiça.
Presidente Jair Bolsonaro com empresários se dirige ao STF, como uma tentativa de constranger a Corte de Justiça.

Em reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Dias Toffoli, ministros e empresários, o presidente Jair Bolsonaro reclamou do poder dado aos Estados e municípios para definir sobre as medidas de isolamento social, disse que os governadores foram longe demais e que as consequências econômicas estão “batendo à porta”.

Bolsonaro levou para a conversa com Toffoli empresários que estiveram na manhã no Palácio do Planalto para pedir a flexibilização das medidas de isolamento. Durante o encontro, o presidente assinou decreto incluindo entre as áreas essenciais o setor de construção civil e afirmou que outros virão.

“Alguns Estados foram um pouco longe nas medidas restritivas e as consequências estão batendo à porta de todos. Temos já 38 milhões de informais e autônomos que perderam a renda ou tiveram substancialmente reduzido. Entre os formais, com carteira assinada, está chegando a 10 milhões de desempregados. E esse número tende a crescer. É colapsar a economia”, disse Bolsonaro.

Não houve nada de pressão, diz Braga Netto sobre ida de Bolsonaro ao STF com empresários

O ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, negou que a visita inesperada do presidente Jair Bolsonaro e empresários ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tenha tido como objetivo pressionar pelo fim das medidas de isolamento social decretadas por Estados e municípios, com aval do Supremo, para conter o avanço do novo coronavírus.

“Foi um ato de cortesia, mas para compartilhar informações com outro Poder, essa foi a intenção. Não houve nada de pressão”, disse Braga Netto em entrevista coletiva ao ser questionado sobre a visita de Bolsonaro mais cedo nesta quinta-feita (07).

Segundo o ministro, o presidente recebeu um grupo de representantes da indústria que apresentou um quadro “altamente preocupante” ante a paralisação econômica provocada pelas medidas de isolamento social, e então decidiu compartilhar as informações com o presidente do Supremo. Bolsonaro então seguiu a pé, acompanhado dos empresários e de ministros, incluindo o da Economia, Paulo Guedes, ao prédio do Supremo, onde foi recebido por Toffoli.

“Quando o presidente da República tomou ciência dos fatos, ele realmente falou: ‘Vou levar esse assunto para compartilhar essa preocupação do governo federal com o pós-pandemia, que é um assunto recorrente no governo, compartilhar para que outro Poder também tenha ciência do tamanho do problema que se avizinha’”, disse Braga Netto.

Na visita ao Supremo, Bolsonaro reclamou das restrições impostas por Estados e municípios à indústria e ao comércio durante a epidemia de coronavírus, e afirmou que as consequências econômicas estão “batendo à porta”.

Em resposta, Toffoli cobrou do governo uma coordenação do Executivo com os demais Poderes e com os governos estaduais.

A audiência, que não estava agendada previamente, foi transmitida ao vivo nas redes sociais do presidente.

*Com informações de Lisandra Paraguassu e Pedro Fonseca, da Agência Reuters.


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