Feira de Santana: Museu Casa do Sertão expõe fotopinturas em alusão ao Dia Mundial da Fotografia

Museu Casa do Sertão apresenta exposição virtual 'Fotopintura: Memórias Enaltecidas nas Paredes'.
Museu Casa do Sertão apresenta exposição virtual 'Fotopintura: Memórias Enaltecidas nas Paredes'.

Comemorando o Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto, o Museu Casa do Sertão, entidade da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), lança a exposição virtual ‘Fotopintura: memórias enaltecidas nas paredes’. São 19 retratos pintados, captados colaborativamente de espaços domiciliares, que buscam entrecruzar narrativas familiares aos referenciais estéticos e históricos, presentes na expressão cultural popular da fotopintura.

Pautado no ideal de respeito, afeto e consideração, muitas famílias ainda conservam retratos pintados nas paredes de suas salas, testemunhas do tempo e das marcas por ele deixadas, num painel reflexivo que vai além de suas relíquias. Considerada enquanto testemunho belo e colorido da relação entre história e fotografia, a síntese entre retrato e pintura que descreve visualmente recortes da realidade, em especial da sertaneja, através de usos e costumes comuns a épocas passadas, é elevada à condição de patrimônio cultural e artístico.

O conjunto de imagens da mostra traz peculiaridades características da produção no Brasil como o uso de contrastes entre tonalidades que instauram composições a partir de recursos cromáticos como o claro-escuro e o uso de cores vibrantes e cores suaves. Destacam-se a formalidade do vestuário, rigidez nas posturas e semblantes dos retratados, assim como a padronização de representações nas fotos de casal em que a figura feminina apresenta-se com o corpo à frente da masculina.

Estima

Fotopintura não é apenas um retrato colorido pintado à mão. As imagens preservadas são mais do que a permanência de um fragmento do real sobre uma moldura. Os rostos pintados revelam partes de uma realidade pausada no tempo, congeladas da vida e devolvidas a ela com cores e inspirações excepcionais, que permanecem nas paredes como uma verdadeira prova de estima e consideração.

A técnica se popularizou no Brasil no século 20, nas décadas de 1950 e 1960, especialmente no Nordeste brasileiro. O baixo custo possibilitou a democratização na aquisição de um autorretrato com moldes de pintura, antes acessível a um pequeno grupo.

O acréscimo de adornos como joias, ternos, gravatas e quando desejado, a retirada de imperfeições da pele como manchas e rugas, possibilitam a manipulação e transformação idealizada de imagens-documentos, legadas à posteridade. Isso transborda delicadeza, senso estético e criatividade, para delinear a vida e a face da população.

O retrato pintado pode ser considerado símbolo e prova material da existência. Sua conservação reside na necessidade humana de colecionar e apreciar fragmentos do passado rememoráveis a qualquer instante, trechos de trajetórias de vida e sonhos.

Na obra ‘Sobre Fotografia’, a escritora e crítica de arte norte-americana Susan Sontag destaca que “cada família constrói uma crônica visual de si mesma – um conjunto portátil de imagens que dá testemunho da sua coesão. Pouco importa as atividades fotografadas, contanto que as fotos sejam tiradas e estimadas”.

Com a exposição, compartilhou-se do ideal de se pensar o fenômeno museu de suas portas para fora, do exterior e do interior que o caracteriza, num exercício de novas possibilidades museais, não circunscritas apenas ao suporte tecnológico virtual, mas, sobretudo nas relações de saberes e fazeres materializados nessa escuta afetiva, sobre o que o outro tem a dizer a respeito de sua ancestralidade e memórias. Um pequeno mosaico formado por narrativas dotadas de potencial simbólico e poético, advindas de Alagoinhas, Cansanção, Conceição do Coité, Gavião, Irará, Itatiba, Riachão do Jacuípe, Salvador, Santaluz, e Santo Estêvão. Vale a pena conferir.

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