Ministros do STF repudiam comemorações ao Golpe Civil-Militar de 1964; Período histórico foi marcado pela retirada do poder de escolha do povo sobre quem deveria ser o mandatário da Nação

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestaram nas redes sociais sobre as alusões do Desgoverno Bolsonaro ao Golpe de Estado Civil-Militar (Ditadura Militar no Brasil de 1964 a 1985), iniciado em 31 de março de 1964 , data que marca os 57 anos da instalação de um regime militar. O período histórico foi marcado pela retirada do poder de escolha do povo sobre quem deveria governar o Brasil.

Pelo Twitter, o ministro Gilmar Mendes disse que o momento é de valorizar a democracia no país. “O dia 31/03 não comporta a exaltação de um golpe que lançou o país em anos de uma ditadura violenta e autoritária. Ao contrário: é momento de exaltar o valor da nossa democracia conquistada com suor e sangue. Viva o Estado de Direito”, escreveu.

Na mesma rede social, o ministro Luís Roberto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que o período foi marcado por censura aos meios de comunicação e “regras eleitorais manipuladas”.

“Só pode sustentar que não houve ditadura no Brasil quem nunca viu um adversário do regime que tenha sido torturado, um professor que tenha sido cassado ou um jornalista censurado. Tortura, cassações e censura são coisas de ditaduras, não de democracias”, escreveu Barroso.

Ordem do Dia

Na Ordem do Dia, mensagem que deve ser lida nos quartéis, o Ministério da Defesa escreveu que “eventos ocorridos há 57 anos, assim como todo acontecimento histórico, só podem ser compreendidos a partir do contexto da época”.

“A Guerra Fria envolveu a América Latina, trazendo ao Brasil um cenário de inseguranças com grave instabilidade política, social e econômica. Havia ameaça real à paz e à democracia. Os brasileiros perceberam a emergência e se movimentaram nas ruas, com amplo apoio da imprensa, de lideranças políticas, das igrejas, do segmento empresarial, de diversos setores da sociedade organizada e das Forças Armadas, interrompendo a escalada conflitiva, resultando no chamado movimento de 31 de março de 1964”, diz trecho da mensagem assinada pelo novo ministro da pasta, general Braga Netto, que substituiu o general Fernando Azevedo e Silva.


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