Jurivaldo Alves preserva raridades da literatura de cordel e mantém tradição cultural viva no Mercado de Arte de Feira de Santana

No Mercado de Arte Popular de Feira de Santana, o folheteiro e cordelista Jurivaldo Alves da Silva, então com 74 anos, preserva um acervo estimado em cerca de cinco mil exemplares de literatura de cordel, ao mesmo tempo em que comercializa publicações — inclusive autorais — e mantém ativa uma das manifestações mais tradicionais da cultura nordestina. A atividade cotidiana do cordelista, distribuída em duas bancas e um espaço fixo, reafirma o papel do mercado como polo de memória, difusão cultural e acesso popular à literatura.

Preservação e circulação do cordel no espaço público

Instalado no Mercado de Arte Popular de Feira de Santana, Jurivaldo Alves reúne romances, folhetos e cordéis que dialogam com a história regional, o imaginário popular e a tradição oral. Parte desse material é colocada à venda; outra parcela, no entanto, integra um núcleo de preservação pessoal, mantido pelo cordelista como patrimônio cultural, sem possibilidade de comercialização.

A presença permanente no mercado amplia o alcance do cordel para públicos diversos, do leitor habitual ao visitante ocasional, fortalecendo a circulação popular da literatura e a transmissão intergeracional de narrativas, métricas e temas característicos do gênero.

Trajetória iniciada na infância

Ao recordar o Dia Municipal da Literatura de Cordel, celebrado em segunda-feira (07/06/2021), Jurivaldo rememora o início da trajetória ainda na infância, quando atuava como folheteiro. Natural de Baixa Grande, ele relata que, mesmo analfabeto na adolescência, comprava cordéis e recorria a terceiros para a leitura, decorando as histórias para declamá-las posteriormente — prática que reforça a centralidade da oralidade na formação do cordelista.

O incentivo decisivo, segundo o próprio Jurivaldo, veio de Antônio Alves, referência no meio. O encontro ocorreu quando Jurivaldo chegou a Feira de Santana e se hospedou na Pensão Jacobina, local onde Antônio Alves também estava. Desse estímulo surgiu a primeira publicação autoral, “Lampião entre o amor e o cangaço”, marco inicial de uma produção que se somaria ao acervo hoje preservado.

Acervo raro e referências históricas

Entre os exemplares guardados com maior rigor estão cordéis considerados raríssimos, que o folheteiro afirma não vender nem trocar. Nesse conjunto figuram obras de autores reconhecidos, a exemplo de Leandro Gomes de Barros, amplamente reconhecido como patrono da literatura de cordel no Brasil.

Além das referências nacionais, o acervo contempla títulos que narram a história local e regional, como o folheto “A feira livre da Princesa do Sertão”, de Antônio Alves da Silva, que retrata aspectos da formação e da dinâmica social de Feira de Santana.

Espaço aberto a novos autores e mestres do gênero

Jurivaldo afirma manter seu espaço aberto a outros escritores e cordelistas, funcionando como ponto de encontro e divulgação do gênero. Entre os nomes citados estão Bule-Bule, Zadir Marques Portos e Franklin Machado, entre outros, o que reforça o caráter coletivo e colaborativo do cordel enquanto prática cultural viva.

Cordel como patrimônio cultural

Reconhecida como patrimônio cultural do povo nordestino, a literatura de cordel é celebrada em Feira de Santana por meio do Dia Municipal da Literatura de Cordel, iniciativa que busca valorizar autores, folheteiros e leitores, além de estimular políticas de preservação e difusão dessa expressão artística.

Confira vídeo

Dentre as publicações disponibilizadas por Jurivaldo Alves, alguns exemplares de cordel contam a história da região e da cidade de Feira de Santana, a exemplo da publicação de autoria de Antonio Alves da Silva, com título 'A feira livre da Princesa do Sertão'.
Dentre as publicações disponibilizadas por Jurivaldo Alves, alguns exemplares de cordel contam a história da região e da cidade de Feira de Santana, a exemplo da publicação de autoria de Antonio Alves da Silva, com título ‘A feira livre da Princesa do Sertão’.
Patrimônio cultural do povo nordestino, a literatura de cordel é comemorada em Feira de Santana através do ‘Dia Municipal da Literatura de Cordel’.
Patrimônio cultural do povo nordestino, a literatura de cordel é comemorada em Feira de Santana através do ‘Dia Municipal da Literatura de Cordel’.

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