Michelle Bachelet considera desastrosa situação de direitos humanos em territórios palestinos; Alta comissária da ONU pede esforços em favor da paz duradoura

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, esteve no comitê sobre o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino, em Genebra, nesta terça-feira (07/12/2021).

No evento, ela declarou que a situação nos territórios palestinos é desastrosa e tem um impacto prejudicial nas perspectivas de paz e desenvolvimento sustentável para Israel.

Inaceitável

Bachelet argumentou que não há justificativas aceitáveis para qualquer situação em que os direitos humanos sejam violados e abusados. Para ela, só o fim da ocupação pode trazer uma paz duradoura e estabelecer as condições em que os direitos humanos de todos possam ser plenamente respeitados.

Em maio deste ano, houve a escalada significativa nas hostilidades, resultando na morte de 261 palestinos, incluindo 67 crianças. O Escritório da ONU para os Direitos Humanos apurou que 130 vítimas eram civis.

Na época, o Conselho de Direitos Humanos decidiu criar uma comissão de inquérito internacional independente. O primeiro relatório deve ser apresentado em junho do próximo ano.

A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu às Autoridade Palestina que garanta a segurança de quem decidir participar das marchasFoto ONU/ Laura Jarriel

A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu às Autoridade Palestina que garanta a segurança de quem decidir participar das marchas

Gaza

Para Bachelet, o povo da Faixa de Gaza também continua sofrendo com um bloqueio terrestre, marítimo e aéreo implementado por Israel há 15 anos, com “infraestrutura vital em ruínas e um sistema de esgoto decadente”.

Ela também observou que os esforços de reconstrução e recuperação estão em andamento e alguns bens foram gradualmente autorizados a entrar na região, mas a instabilidade continua.

Bachelet declarou que as condições humanitárias, no entanto, permanecem profundamente preocupantes.

Liberdades civis

Em outubro, Israel declarou seis organizações da sociedade civil palestina como terroristas. Um mês depois, esses grupos também foram tidos como ilegais no território.

De acordo com Bachelet, as decisões foram baseadas em razões vagas e sem comprovação.

Para ela, as reivindicações dos grupos eram legítimas e totalmente pacíficas. As seis organizações trabalharam com a comunidade internacional, incluindo a ONU, por décadas.

Casas palestinas e assentamentos israelenses em Hebron, na Cisjordânia.

Ataques

Para a alta comissária, as alegações de ligações com o terrorismo são “extremamente sérias”, mas sem evidências adequadas. Por isso, ela afirma que as decisões são arbitrárias e corroem ainda mais o espaço cívico e humanitário no território palestino ocupado.

Assim, Bachelet acredita que se trata de ataque aos defensores dos direitos humanos, aos direitos à liberdade de associação, opinião, expressão e à participação pública.

Desde junho de 2021, o Escritório de Direitos Humanos da ONU também documentou casos de agressões a jornalistas e ativistas, bem como intimidação, violência e assédio de gênero, uso excessivo de força, prisões arbitrárias e censura.

*Com informações da ONU News.


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