Gestões do PT implementaram políticas inéditas para garantir cidadania e combate à violência contra transexuais

As gestões petistas de Lula e Dilma Rousseff, em âmbito nacional, e de Jaques Wagner e Rui Costa, na esfera estadual, implementaram políticas públicas inéditas para garantia da cidadania e do combate à violência contra os transexuais no Brasil e na Bahia. O primeiro passo foi dado por Lula em 2004 que, em diálogo com os movimentos LGBTQIA+ criou o programa “Brasil sem Homofobia”, para promoção da cidadania, equiparação de direitos, o combate à violência e à discriminação.

A partir daí, outras políticas foram criadas em um país que registra um dos maiores índices de homicídios de pessoas trans e travestis. A criação da Coordenação Geral de Promoção dos Direitos de LGBT, responsável por articular ações com os demais ministérios e órgãos do Governo Federal, foi uma delas. Outro avanço importante foi o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT, em 2010, que inseriu diversas ações de valorização, por meio de renda, escolarização, educação, acesso à saúde, identidade de gênero e prevenção à violência homofóbica.

Na esteira das ações, se destacam ainda a implementação do módulo LGBT no Disque 100, que preparou, em 2011, o Disque Direitos Humanos para atendimento de denúncias de violações de direitos, além das alterações no SUS, que passou a realizar atendimento completo para travestis, transexuais e transgêneros, como terapia hormonal e cirurgias. A identidade de gênero passou também a ser respeitada, com a inclusão do nome social no cartão do SUS.

Membra da Secretaria Nacional LGBT do PT e secretária-adjunta da Juventude do PT da Bahia, Tiffany Conceição comemora as conquistas das gestões progressistas do PT e destaca que ainda é necessário avançar mais nas discussões na sociedade. “Estamos falando de pessoas que merecem respeito. A partir da Constituição Federal, não deviam ter seus direitos negados, como acesso à saúde, educação. É preciso que se respeitem as identidades de gênero: quem se identifica com ‘ela’, é ‘ela’, com ‘ele’ é ‘ele’. Apesar disso, estamos progredindo, ocupando espaços de poder, mas vivemos em uma sociedade que não humaniza nossos corpos, nos animaliza, nos joga nos lugares de subalternidade, marginalidade e criminalização”, disse Tiffany.

Bahia

Os debates são necessários principalmente em um momento de grandes retrocessos para a comunidade por parte da gestão Jair Bolsonaro, que acabou com a política nacional de cidadania e combate à violência, deixando os estados sem diretrizes de uma política nacional e orçamentária, destaca Kaio Macedo, coordenador estadual LGBT da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). Na Bahia, no entanto, as políticas iniciadas na gestão Wagner foram mantidas com recursos do próprio estado.

O primeiro programa específico para essa população no estado foi a implantação do Comitê para Políticas LGBT em 2010, composto por representantes do poder público e da sociedade civil. Nesse mesmo ano, foi criado o Núcleo de Políticas LGBT da SJDHDS, atualmente transformado em Coordenação de Políticas LGBT. Em 2011, institui-se a Área Técnica de Saúde de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, instância formuladora, articuladora, avaliativa e coordenadora das políticas públicas de saúde. O objetivo principal foi a promoção e fortalecimento da Política Nacional de Saúde Integral na Bahia, considerada uma conquista marcante para a visibilidade social e política da população LGBT, como norteador e legitimador de necessidades e especificidades, segundo Kaio Macedo.

O Governo do Estado também introduziu o Sistema Nacional de Enfrentamento a Violência LGBT, uma rede de atenção que redefiniu e ampliou o processo transexualizador no SUS. Outro marco histórico para a comunidade LGBT foi a criação do Conselho Estadual dos Direitos da População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CELGBT), sendo a Bahia o quinto estado do país brasileiro a criar um Conselho LGBT.

Centro de Promoção

O Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD/LGBT), criado em 2017, tem se consolidado como um equipamento de referência na promoção e defesa dos direitos da comunidade. O Centro funciona no Casarão da Diversidade, no Pelourinho e oferece uma atenção especializada com serviços de atendimento jurídico, psicológico, assistencial, de orientação e acompanhamento às famílias e vítimas, educação social e redução de danos.

De 2018 a dezembro de 2021, a equipe realizou 329 atividades artísticas- culturais, capacitação de quase 4 mil profissionais da rede, estudantes e assistidos, mais de 100 visitas técnicas, mais de 11 mil acolhimentos coletivos e cerca de cinco mil acolhimentos individuais. “Considerando que a LGBTfobia e os estigmas se colocam como fatores preponderantes no acesso aos bens e serviços, como o acesso à cultura e à sociabilidade, em geral, nos espaços públicos de maneira segura e livre de violências, além dos serviços já mencionados, o CPDD LGBT também se constitui enquanto espaço de sociabilidade e convivência, ambas entendidas como um direito”, afirma Kaio Macedo.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading