Anglo-saxões precisam de guerra a todo o custo e Rússia condena ‘ambições imperiais’ dos EUA; 17% da população da Ucrânia é de origem russa e alfabeto doo país é o cirílico

Neste sábado (12/02/2022), Maria Zakharova, representante oficial da chancelaria russa disse que, devido à grande quantidade de armas e instrutores enviados pelo Ocidente à Ucrânia, a Rússia chega à conclusão que os EUA e Reino Unido, pelo visto, sabem de determinadas ações militares que estão sendo preparadas e que podem complicar a situação.

Moscou atacou as “provocações” da Casa Branca, depois que os EUA enviaram milhares de soldados à Polônia e um alto funcionário da administração de Joe Biden referiu supostos planos da Rússia contra a Ucrânia.

Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, voltou a criticar as ações dos EUA, que enviaram 3.000 militares à Polônia.

“A histeria da Casa Branca é mais reveladora do que nunca. Os anglo-saxões precisam da guerra, a todo o custo. As provocações, desinformação e ameaças são o método preferido de resolução de seus próprios problemas”, segundo ela.

Além do destacamento de militares à Polônia, Zakharova comentou as declarações de Jake Sullivan, assessor de segurança nacional do presidente dos EUA, sobre supostos planos da Rússia em relação à Ucrânia.

Panorama internacional

“O rolo compressor da máquina político-militar está pronto para atingir de novo a vida das pessoas. O mundo inteiro observa como o militarismo e as ambições imperiais se autodenunciam”, continuou.

Zakharova também disse que “a brigada propagandística liderada pela [agência norte-americana] Bloomberg abastece tudo isso”, em aparente referência à “notícia” de segunda-feira (7) da agência, que publicou durante meia hora um artigo dizendo que a “Rússia invadiu a Ucrânia”.

Nos últimos meses, países ocidentais têm acusado a Rússia de pretender invadir a Ucrânia, citando a proximidade de tropas russas da fronteira com seu vizinho. Já Moscou responde que tem todo o direito de movimentar seus militares no seu próprio território, que essas ações não devem preocupar ninguém, e questiona a crescente presença militar da OTAN no Leste Europeu, incluindo na Ucrânia, que não é Estado-membro da Aliança Atlântica.

Composição étnica

O país é o lar de 42 milhões de pessoas, 77,8% dos quais são ucranianos étnicos, com minorias de russos (17%), bielorrussos e romenos. O ucraniano é a língua oficial e o seu alfabeto é cirílico. O russo também é muito falado. A religião dominante é o cristianismo ortodoxo oriental, que influenciou fortemente a arquitetura, a literatura e a música do país.

Reação do Ocidente às propostas de segurança ignora aspectos fundamentais para Rússia

Neste sábado (12/02/2022) o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, realizaram conversações por telefone para discutir as tensões em torno da Ucrânia.

Antes das negociações, Blinken afirmou que uma “invasão” russa do país vizinho poderia começar “a qualquer momento”, acusando Moscou de “escalada”. A Rússia rejeitou veementemente possuir quaisquer planos de invasão.

“Como observou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, a resposta de Washington e Bruxelas relativamente aos projetos de tratado russo-americano e ao acordo com a OTAN sobre garantias de segurança ignora os aspectos fundamentais para nós, nomeadamente sobre a não expansão da aliança e não implantação de sistemas de armamentos ofensivos perto das fronteiras russas”, aponta o comunicado da chancelaria russa.

Na conversa, Lavrov recordou ao seu homólogo americano sobre a inadmissibilidade de ações que violem as obrigações de manter a indivisibilidade da segurança na Europa e na região do Atlântico.

O chefe da diplomacia russa declarou também que a campanha de propaganda dos EUA e seus aliados em relação à alegada “agressão russa” contra a Ucrânia persegue objetivos provocativos.

“O ministro ressaltou que a campanha de propaganda lançada pelos EUA e seus aliados sobre a ‘agressão russa’ contra a Ucrânia persegue objetivos provocativos, incentivando as autoridades de Kiev a sabotar os acordos de Minsk e a tentativas perniciosas de resolver os ‘problemas de Donbass’ pela força”, lê-se na nota divulgada pela chancelaria russa.

Submarino nuclear dos EUA foi detectado nas águas territoriais da Rússia, diz Moscou

Submarino dos EUA ignorou o aviso para deixar as águas territoriais da Rússia, anunciou neste sábado (12) o Ministério da Defesa russo.

No sábado (12) foi detectado um submarino nuclear dos EUA da classe Virginia perto da ilha Urup, nas ilhas Curilas, disse o Ministério da Defesa da Rússia.

“[…] Às 10h40 [horário de Moscou, ou 02h40, no horário de Brasília], foi detectado um submarino de classe Virginia da Marinha dos EUA na área das manobras programadas da Frota do Pacífico, nas águas territoriais da Federação da Rússia, perto da ilha de Urup, nas ilhas Curilas”, indicou o órgão do governo russo.

O ministério relatou que foi transmitida à tripulação americana uma mensagem no idioma inglês e russo: “Vocês estão em águas territoriais da Rússia. Emerjam imediatamente!”. No entanto, a exigência russa foi ignorada.

“Em conformidade com os documentos orientadores sobre a defesa das fronteiras marítimas da Federação da Rússia, a tripulação da fragata Marshal Shaposhnikov da FP [Frota do Pacífico] aplicou os meios apropriados”, indica a informação do Ministério da Defesa russo, acrescentando que o submarino dos EUA usou um simulador autopropulsado para duplicar o alvo nos radares, antes de abandonar as águas territoriais russas a grande velocidade.

Como referiu o comunicado, a Frota do Pacífico da Rússia está conduzindo manobras navais, e segue controlando o ambiente marítimo para impedir a violação das fronteiras territoriais do país.

Resposta diplomática da Rússia

Em resposta ao evento, o Ministério da Defesa da Rússia revelou ter convocado o adido militar dos EUA.

“Tendo em conta a violação, por um submarino da Marinha dos EUA, da fronteira da Federação da Rússia, o adido militar da embaixada dos EUA em Moscou foi convocado ao Ministério da Defesa da Rússia”, informou o órgão, adicionando que entregou uma nota ao adido militar.

A nota qualifica de violação grosseira do direito internacional as ações do submarino norte-americano.
“As ações provocativas do navio da Marinha dos EUA criaram uma ameaça à segurança nacional da Federação da Rússia. O Ministério da Defesa da Rússia insiste na necessidade de os EUA tomarem medidas para evitar tais situações no futuro”, escreveu o ministério russo, e acrescentou que não exclui tomar quaisquer medidas que garantam a segurança da Rússia.

Alemanha é ‘Estado ocupado’ e países da Europa também se renderam, diz Rússia

Representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia comentou as relações entre a Alemanha e os EUA, que disse não serem “uma relação de iguais”.

A Alemanha segue sendo um Estado ocupado hoje, declarou Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em entrevista de terça-feira (8) à RT.

“A Alemanha, de acordo com várias características relevantes – esta não é minha opinião, nem da Rússia, isto corresponde aos termos e métricas da ciência política segue sendo, de uma forma ou outra, um Estado ocupado: 30.000 [tropas] americanas estão lá estacionadas”, disse ela, apontando a Alemanha como “simplesmente um protetorado” de Washington.

“Os embaixadores americanos na Alemanha, que deviam estar trabalhando lá para melhorar relações bilaterais, estão dando ordens a funcionários alemães”, afirmou.

Zakharova citou o caso de Richard Grenell, embaixador dos EUA em Berlim durante a presidência norte-americana de Donald Trump (2017-2021), que estava “lhes dando ordens literalmente todos os dias sobre o que fazer em questões como o Nord Stream 2”.

Panorama internacional

“A Alemanha precisa deste gás não porque goste da Rússia ou nos queira agradar – eles simplesmente precisam dele, é o que alimenta sua economia, é um recurso do qual depende seu desenvolvimento industrial, é o que eles precisam para viver, basicamente […] um assunto vital”, referiu ela.

Ela sublinhou que as relações entre os EUA e a Alemanha não são uma relação de iguais”.

“Eles falam assim com toda a gente. Mas a maior parte deles, se você tomar a UE [União Europeia], simplesmente se rendeu”. A Rússia, pelo contrário, recusa-se a ser tratada dessa forma. “Podem dar ordens a qualquer um que goste disso – mas nós não, por isso não se fala assim connosco”, disse Zakharova. “Se violarem algo que diz respeito aos nossos interesses e for contra o direito internacional, terão ações em resposta”.

Na segunda-feira (7) Joe Biden, presidente dos EUA, instou Berlim a “encerrar” o gasoduto russo Nord Stream 2, durante a visita de OIaf Scholz, chanceler da Alemanha, a Washington.

EUA buscam expandir presença militar no Reino Unido investindo milhões em bases aéreas, diz mídia

Estados Unidos estão se preparando para modernizar suas bases aéreas no Reino Unido em uma iniciativa que permitiria a Washington interceptar as comunicações internacionais e lançar mais rapidamente ataques militares a partir do território britânico e com efeitos mais devastadores, aponta mídia.

De acordo com o portal de jornalismo investigativo Declassified UK, os EUA revervaram US$ 40 milhões (cerca de R$ 210 milhões) para expandir a base de Menwith Hill, situada no condado de North Yorkshire e denominada de “maior instalação de vigilância da Agência de Segurança Nacional dos EUA fora da América”.

Outros US$ 300 (R$ 1,575 bilhão) seriam gastos na base dos aviões B-52 e bombardeiros furtivos americanos em Fairford, Gloucestershire, enquanto uma quantia não revelada teria sido atribuída à base da CIA em Croughton no Reino Unido, revela portal.

A edição Declassified UK informa também que, em teoria, o governo britânico poderia vetar as operações dos EUA a partir dessas bases, mas argumentou que o montante de dinheiro que Washington está gastando nas bases deixa claro que não se espera que haja objeções de Londres.

Panorama internacional

Vale ressaltar que, em meados de dezembro, a Força Aérea dos EUA implantou permanentemente um grupo de quatro caças F-35A em uma base no Reino Unido, devendo o grupo ser completado com mais 20 aeronaves ao longo dos próximos anos.

*Com informações da Sputnik Brasil.

Ilustração do submarino de classe Virginia dos EUA,
Ilustração do submarino de classe Virginia dos EUA,

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