Banco Mundial está “preocupado” com efeitos da reorganização da economia global na América Latina

Organizações multilaterais também discutem como será o esforço dos países ricos para buscar fornecedores mais próximos e garantir suas respectivas regiões de influência sob controle.
Organizações multilaterais também discutem como será o esforço dos países ricos para buscar fornecedores mais próximos e garantir suas respectivas regiões de influência sob controle.

O Brasil e a América Latina deverão ter dificuldades em tirar vantagens da alta de preço das commodities, como de alimentos e combustíveis, avalia Carlos Felipe Jaramillo, vice-presidente do Banco Mundial para a região da América Latina e Caribe.

Em entrevista publicada nesta segunda-feira (02/05/2022) pela Folha de S.Paulo, Carlos Felipe Jaramillo falou sobre a crise na Ucrânia, a volatilidade dos preços do mercado internacional e as perspectivas da América Latina diante de uma possível fragmentação da economia global em blocos.

Em recentes reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, houve muitos comentários sobre como será a reorganização da economia a partir de blocos, diante do conflito na Ucrânia.

Organizações multilaterais também discutem como será o esforço dos países ricos para buscar fornecedores mais próximos e garantir suas respectivas regiões de influência sob controle.

Para Carlos Felipe Jaramillo, ainda é difícil ter certeza se esse movimento pode beneficiar a América Latina. “É muito difícil ainda dizer como o futuro evoluirá.”

Ele avalia que, por um lado, a região latina é próxima de grandes mercados, como EUA e Canadá. No entanto “é difícil prever neste momento se isso será uma coisa grande”.

O vice-presidente do Banco Mundial para a região da América Latina e Caribe disse estar preocupado que essa aproximação “possa levar a muitas restrições de comércio, que podem impactar o crescimento. Espero que possamos manter o comércio fluindo, de modo que a América Latina siga se beneficiando”.

“A globalização e a alta massiva no comércio nos últimos 20 ou 30 anos têm sido extremamente boas para o desenvolvimento e a redução da pobreza em muitos países da América Latina”, comentou.

Carlos Felipe Jaramillo também falou sobre a alta no preço das commodities. Segundo ele, “em tempos normais” poderia ser uma coisa positiva, mas não será, porque a maioria das colheitas “já está pré-vendida”.

Ele avaliou que a alta de preços no último mês não será aproveitada pelos países latinos, incluindo o Brasil.

Para ele, outra questão é que a alta de preços complica a retomada da economia após a pandemia. “As famílias, que mal estavam se recuperando da forte crise dos últimos dois anos, inesperadamente precisam lidar com altas de preços de comida e energia”, comentou.

Jaramillo falou ainda sobre as eleições presidenciais no Brasil, argumentando que a incerteza eleitoral prejudica as perspectivas do país em 2022. Para este ano, a previsão do Banco Mundial é que o país cresça 0,7%, enquanto a América Latina e o Caribe devem avançar 2,3%.

Ele enfatizou que “o Brasil teve um crescimento muito bom em 2021, de 4,6%. Mas, para este ano, estimamos um crescimento de 0,7%. E isso é em grande parte porque o ambiente externo se tornou mais negativo do que prevíamos, especialmente com as mudanças nos preços das commodities e com a expectativa de alta contínua nas taxas de juros pelo mundo”.

Carlos Felipe Jaramillo, por fim, falou sobre a demanda por petróleo latino com a crise na Ucrânia.

“Apesar das vantagens a alguns poucos países, o impacto geral da alta do petróleo é muito negativo para a região. Primeiro porque a maioria dos países da América Latina e Caribe são importadores de petróleo, que é usado para muitas coisas diferentes. E a alta dos preços afeta as famílias”, disse.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.