Primeiro-ministro Mario Draghi renuncia; Governo da Itália é instruído a cumprir deveres até novo gabinete ser formado

Mario Draghi ofereceu nesta quint-feira (21/07/2022) a renúncia como primeiro-ministro da Itália ao presidente Sergio Mattarella.

O presidente “tomou nota” da carta de renúncia de Draghi e instruiu o governo a manter seus “deveres atuais”, disse o gabinete do presidente em comunicado na quinta-feira (21/07/2022).

Mais cedo, Draghi disse à câmara baixa do parlamento que informaria o chefe de Estado de “suas intenções”. Ele deve se dirigir brevemente à Câmara dos Deputados ao meio-dia, horário local.

Manter “os deveres atuais” significa que o governo não terá plenos poderes até que um novo governo seja formado após uma eleição parlamentar antecipada. O presidente deve dissolver o parlamento e anunciar a data da votação.

Draghi entregou sua renúncia anterior após um voto de confiança na semana passada, mas foi rejeitada por Mattarella, porque ainda havia uma maioria viável disposta a apoiar o governo.

Fim da estabilidade política

A crise política acabou com os meses de estabilidade na Itália, durante os quais Draghi ajudou a moldar a dura resposta da Europa à invasão russa da Ucrânia e impulsionou a posição do país nos mercados financeiros.

Draghi recebeu aplausos calorosos dos legisladores quando fez uma breve aparição na Câmara dos Deputados na quinta-feira.

“Até mesmo os banqueiros centrais têm seus corações tocados às vezes”, brincou ele ao receber a ovação.

Os mercados financeiros reagiram mal à renúncia de Draghi em um momento em que já se preparam para o primeiro aumento das taxas de juros do Banco Central Europeu desde 2011.

“É um grande golpe para a capacidade da Itália de entregar políticas e reformas a curto prazo”, disse Lorenzo Codogno, chefe da LC Macro Advisers e ex-funcionário sênior do Tesouro italiano. “Haverá atrasos e interrupções com as eleições antecipadas, e muito provavelmente nenhum orçamento até o final do ano”, afirmou.

Fraturas

Draghi já havia apresentado sua renúncia na semana passada depois que um de seus parceiros de coalizão, o populista Movimento 5 Estrelas, não o apoiou em uma votação de confiança sobre medidas para enfrentar o alto custo de vida.

Na ocasião, Mattarella rejeitou a demissão e disse a Draghi para ir ao Parlamento para ver se ele poderia manter a ampla coalizão até o final planejado da legislatura no início de 2023.

Em um discurso no Senado, o agora ex-primeiro-ministro da Itália fez um apelo à unidade e expôs uma série de questões que a Itália enfrenta, desde a guerra na Ucrânia até a desigualdade social e o aumento dos preços.

Mas o 5 Estrelas mais uma vez decidiu não apoiá-lo, dizendo que ele não havia tratado de suas preocupações centrais. Além disso, os direitistas Forza Italia e Liga decidiram não participar da votação, defendendo que o governo seguisse sem o 5 Estrelas.

Em sinal das tensões trazidas à tona pelo fim do governo Draghi, dois ministros do Forza Italia anunciaram que deixariam o partido.

O ministro da Administração Pública, Renato Brunetta, e Mariastella Gelmini, ministra dos Assuntos Regionais, deixaram o partido liderado pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

*Com informações da Agência TASS e Reuters.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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