Para manter quase 40 ministérios e o aumento do número de servidores públicos no governo, o PT não tem outra solução senão aumentar a carga tributária. A isso se junte a combinação prevista de um baixo crescimento, inflação e o desemprego, que deverá se alastrar de forma assustadora, principalmente depois da aprovação da PEC Fura Teto, com a agravante da perda da credibilidade na condução da política fiscal.
Considerando que as expectativas da economia mundial deste ano têm sido impactadas com a possibilidade de uma recessão global, a notícia não é muito boa para os países chamados emergentes, como o Brasil. Quando há uma recessão global, os investidores tendem a buscar maior segurança na aplicação do seu dinheiro, o que significa investir em países com maior credibilidade.
Esse temor está ligado à expectativa de que países como os Estados Unidos subam ainda mais os juros, fortalecendo o dólar em relação a outras moedas. Com isso, o poder de compra acaba corroendo as moedas fracas, como o real, o que é ruim para o consumo e para a economia.. Recuperar a capacidade de investimento, melhorar o zelo com as contas fiscais e tentar criar mecanismos para que o crescimento significa diminuir a inflação.
Como o presidente Lula da Silva já disse que controlar gastos e não ultrapassar o teto de gastos são coisas menores, a bomba vai cair no Banco Central, órgão responsável por manter a inflação sob controle. O risco com o aumento dos gastos públicos e a guerra na Ucrânia tornam a inflação um problema que vem afetando países no mundo inteiro — inclusive os Estados Unidos, uma das maiores economias do mundo.
Com a inflação nas alturas, o Banco Central deverá subir a taxa de juros para tentar contê-la, mas isso também impacta negativamente na atividade econômica, pois se trata de um desestímulo para o investimento produtivo. O Brasil tem hoje a maior taxa real de juros do mundo, com uma renda real de trabalho em torno de 7,5%. Isso significa consumo menor e pouco investimento.
As previsões para este ano são de uma inflação menor que em 2022, mas ainda em níveis elevados. O Banco Central, por exemplo, prevê um IPCA em torno de 4%. 2023 promete ser um ano complexo e repleto de incertezas, não só no campo político, mas no direcionamento das políticas econômicas, que deverão diminuir ao longo dos próximos meses. É importante acompanhar o posicionamento do novo governo na condução das empresas estatais, políticas setoriais, novos investimentos e controle de gastos. Como o negócio vai ser gastar desorganizadamente, o futuro do Brasil é incerto.
*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.







