Salvador: Para atrair o leitor mais jovem, professores do Colégio Cândido Portinari criam projetos e dão novo sentido à leitura

O Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas forneceu um dado preocupante: que o Brasil perdeu cerca de 800 bibliotecas entre 2015 e 2020. O antigo IBOPE, num levantamento de 2019, informou que o país perdeu 4,6 milhões de leitores. Além disso, numa pesquisa, a Retratos da Leitura no Brasil revelou que 31% dos brasileiros nunca compraram um livro e metade da população não tem o hábito de ler.

Diante de um cenário como esse, bastante preocupante, um alento: a faixa etária que mais lê é a dos 5 aos 10 anos de idade. Observando esses indicativos, como reverter a situação e trazer a sociedade como um todo de volta aos livros? Além disso, como interagir com os leitores do século XXI, que dividem a atenção com vários outros gadgets, como televisão, smartphone e vídeo games?

No Colégio Cândido Portinari há um trabalho para conectar, não só as crianças, como os adolescentes ao universo literário. Foi criado o projeto “Contação de História – era uma vez era outra vez”. Nessa ação, contos modernos são introduzidos em sala de aula, com o intuito de aumentar o senso crítico e desenvolver o aspecto cognitivo, tudo isso de forma lúdica e prática.

Nesse projeto, é utilizado a técnica da leitura fílmica, que consiste numa série de exercícios para a introdução de textos e assuntos presentes nas práticas sociais do dia a dia. Na Contação de História, outros elementos e suportes estão inseridos no ato da leitura, como dramatização, caracterização e criação de cenários.

“O projeto sempre existiu. Mas acontece que precisava de uma adaptação aos tempos modernos, de internet e redes sociais. Como incentivar a leitura e engajar os nossos alunos? Como mantê-los interessados? A partir daí que o Contação de História ganhou esse novo formato, que transcendeu as salas e ganhou até o teatro do colégio”, declara a professora e idealizadora do projeto, Maria Angélica Oliveira.

Adaptação

Na Contação de História, os próprios alunos podem modificar elementos do enredo no processo de dramatização. No caso do livro clássico Chapeuzinho Vermelho, a vovó virou uma mulher moderna, amante dos esportes radicais.

“Nesse sentido, o intuito é permitir o desenvolvimento da oralidade e criação, que novas histórias e desfechos surjam a partir dali. Muitos tomam gosto pela produção textual a partir de experiências como essas”, completa Maria Angélica.

Todos os anos, cerca de 90 alunos do Colégio Portinari participam do projeto, já que ele é dedicado apenas para os alunos do 6º ano do ensino fundamental. O intuito, no Contação de História, é estimular o uso da tecnologia como aliada, como ferramenta de consulta e insights.

Para Rita Pina, coordenadora pedagógica do Colégio Portinari, há um consenso que a leitura é boa e traz aspectos positivos, e que ela é necessária à vida e desenvolve aspectos como desenvolvimento de ideias, conhecimento e ampliação de vocabulário. Mas diante disso, o maior desafio é aperfeiçoar o hábito de ler e proporcionar aos estudantes o maior número possível de livros de literatura durante o ano letivo.

“Mais que isso, é importante levar esses estudantes ao processo de reflexão e expressão sobre o contexto das obras, conhecer/reconhecer alguns autores. Com isso, vamos possibilitar a esse jovem leitor uma melhor interação com o mundo, resgatando os valores humanos universais”.

Fato é, que segundo a pesquisa do Retratos da Leitura no Brasil, no país a porcentagem de leitores é de 52%, e que o brasileiro lê em média cinco livros por ano. Além disso, no levantamento há outro dado que gera esperança: 82% dos entrevistados alegaram que gostariam de ler mais. Nesse processo, a escola é fundamental na reversão desses dados.

“Não tem jeito, precisamos pensar os fatores externos, solicitar aos responsáveis dos alunos que estimulem a leitura em casa, oferecer atividades lúdicas que prendam a atenção e fujam daquele sistema que existia numa época sem internet, com os alunos fazendo uma leitura dura, sem a introdução de outros elementos. Nós, professores, somos fundamentais nesse processo”, conclui Maria Angélica.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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