Grão-Mestre Benedito Ballouk comenta sobre a moderna Maçonaria durante 1º Congresso da CMB em Vitória da Conquista

Uma personalidade com visão de presente e futuro, desta forma pode ser definido o professor e pesquisador do Direito Benedito Marques Ballouk Filho, grão-mestre do Grande Oriente de São Paulo (GOSP).

Em entrevista exclusiva concedida no sábado (06/05/2023), em Vitória da Conquista, durante o 1º Congresso Maçônico da Corporação Maçônica da Bahia (CMB), cuja liderança é exercida pelo grão-mestre Alexandre Monteiro, com coliderança de Jorvan Andrade, grão-mestre adjunto, o maçom, professor e escritor Benedito Ballouk comenta sobre os desafios para edificação de uma Maçonaria moderna, conectada com o Século XXI e de que maneira ela pode contribuir para aprimorar os padrões de desenvolvimento do Brasil, em uma marcha à novos padrões civilizatórios.

Importar destacar que além da formação acadêmica no Direito, de ser autor de vários livros, coube a Benedito Ballouk liderar a ruptura do GOSP com o Grande Oriente do Brasil (GOB), incentivando outras lideranças estaduais a fazer o mesmo, com o propósito de retomar o protagonismo regional e local dos maçons nas comunidades onde vivem.

Confira trecho da entrevista concedida por Benedito Ballouk ao jornalista e cientista social Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia (JGB).

O que é a Maçonaria?

— A Maçonaria não é uma entidade secreta, a maçonaria não pode ser uma entidade secreta, uma entidade que tem domicílio próprio seus registros nos cartórios de documentos uma entidade aberta ao público.

— Não é uma entidade que é contra a pátria, muito pelo contrário. Tudo que nós fazemos nas nossas sessões, as nossas referências, é o pavilhão nacional, todos os valores pátrios que nós temos.

— Nós não somos uma religião, mas não há uma sessão maçônica em que nós não nos pautamos pelo Livro da Lei, seja ele a Bíblia, seja ele Alcorão, seja a Torá, seja o livro dos espíritos. Então, nós fazemos as nossas sessões maçônicas sobre a proteção de Deus, que para nós é chamado Grande Arquiteto do Universo.

— Dentre outras situações dizem também a maçonaria é uma entidade política. Não, ela não é uma entidade política. Ela é uma entidade que faz um trabalho de construção do nosso país. E a nossa preocupação qual é? É o bem-estar do povo e da humanidade. É o bem-estar das pessoas, a maçonaria vive para o trabalho social e filosófico. Atendemos os mais necessitados e praticamos o resgate da dignidade da pessoa humana.

Qual o significado deste momento para a Maçonaria no Brasil?

— Bom, sobre esses pressupostos ditos, encontramos aqui, hoje, em Vitória da Conquista. A convite do nosso grão-mestre Alexandre Monteiro da Corporação Maçônica da Bahia, estamos discutindo exatamente a disrupção da maçonaria hoje do Brasil, em particular, o protagonismo da CMB e do Grande Oriente de São Paulo que são parceiras, são chipófogas (gêmeos).

— São entidades maçônicas que acreditam numa maçonaria renovada, uma maçonaria praticada sobre os moldes do século vinte e um. Mas, sobre a referência também do século dezessete. Buscando a modernidade e resgatando a tradição e mostrando que a maçonaria tem muito a colaborar com o país, tem muito colaborar com as pessoas e tem muito para colaborar com cada um dos seus membros.

Do ponto de vista filosófico, a maçonaria traz uma perspectiva para a sociedade individualizada do trabalho remoto, porque ela permite esse reencontro de pessoas que pensam e atuam de forma diversa na sociedade. O que você tem a dizer sobre isso?

— Bom, a maçonaria é uma escola de líderes e essa escola de líderes está conectada ao século vinte e um a partir dessas tecnologias de informação que hoje nós temos à nossa disposição. O nosso grande objetivo é usar toda essa rede colaborativa de informação de uma maneira muito responsável.

— Nós fomos todos acometidos por uma pandemia. Onde mais de seis milhões de pessoas morreram no mundo. Em razão da Covid-19, o Brasil, infelizmente, perdeu 700 mil dos seus concidadãos e isso mudou um pouco a sociedade.

— A sociedade se retraiu, claro por uma questão de precaução dessa pandemia e nós, maçons, começamos a trabalhar também dentro dos meios virtuais. Nesses meios virtuais, com a mesma cartilha, levando a paz, a fraternidade, a esperança e o mais importante de tudo Carlos Augusto, dentro dum trabalho benemerente, filantrópico, sem qualquer fim lucrativo ou intenção de qualquer vantagem. Eu acho que esse é o propósito da maçonaria que eu gostaria que os seus leitores soubessem para que possamos desmistificar a maçonaria.

— A Maçonaria é uma casa aberta. Nossas Lojas (Centros de Reunião Maçônica) estão aí como verdadeiras ouvidorias nos municípios e nossos líderes maçons, quando estão atuando junto à sociedade, são respeitados.  Porque quando você vê um maçom, você vai ver ali a ética, você vai ver ali a moralidade, você vai ver ali a envergadura de caráter dessa pessoa que forma os nossos quadros.

Você fala sobre modernidade e é uma coisa muito importante isso, mas ao mesmo tempo a Maçonaria traz em gênese o valor cristão da fraternidade. Cristo nos ensinou a sermos fraternos e cooperativos, de estarmos sempre dispostos a nos irmanarmos, ou seja, existe um sentimento de cooperação entre os membros da maçonaria e dos membros da maçonaria sociedade, essa é uma perspectiva, mas o que você trata como modernidade?

— É claro que você vive numa sociedade maçônica fundada há mais de trezentos anos no Brasil. Então, não só no Brasil, como no mundo, mais de quatrocentos anos. O que que acontece? Você tem uma tradição e obviamente quando você fala da modernidade você tem que ter uma responsabilidade de manter a tradição da instituição, mas, praticar os princípios da instituição de uma forma moderna e, como você disse, a maçonaria trabalha para a sociedade. Você pode ver em vários lugares que além de um templo maçônico tem uma atividade benemerente social. Nossas lojas mantêm asilos, creches, orfanatos, casa da mãe solteira, fazem campanhas benemerentes de alimentação, educação e saúde, trabalhamos em benefício do próximo e da sociedade.

Poderia abordar o processo de ruptura e independência que ocorreu, principalmente, entre as Lojas e o Grande Oriente do Brasil, fato que resultou na formação de novos orientes estaduais?

— É muito importante essa pergunta porque nós precisamos analisar o seguinte, nós não somos contra absolutamente nenhuma das instituições maçônicas que existe no país. Sejam elas antigas ou novas. Enquanto nós temos tantas causas sociais no mundo importantíssimas, a exemplo doa pobreza, questão climática, corrupção, educação, saúde e você pode pegar essa instituição chamada Maçonaria Mundial e discutir esses problemas em um foro para poder repercutir aquilo para a base maçônica no mundo inteiro.

— Você pega os líderes da maçonaria no mundo e pergunta se eles estão discutindo Reconhecimento e regularidade? Claro que não. O que fizemos foi trazer uma linguagem mais atualizada para a Maçonaria, mais conectada com o presente da sociedade, ou ela está fadada ao insucesso.

— Hoje, o que que acontece com certadas entidades maçônicas que não estão agregadas a esse pensamento arcaico? Elas entidades estão procurando uma disrrupção, ou seja, uma forma de inovação nas práticas que as conecte com as perspectivas humanas do Século XXI, ou seja, estamos falando de uma Maçonaria livre, que tem responsabilidade social, que parte de um grupo de pessoas absolutamente livres, inteligentes e que tem o compromisso para com a comunidade na qual está inserida e com o país no qual vivem.

— Então, esses grupos maçônicos são de alta responsabilidade e eles buscam sair daquele caminho que você sabe que não vai levar a modernidade e a resultados que sejam necessários para a sociedade.

— É tolice você fazer as mesmas coisas esperando resultados diferentes. Então, nós temos que mostrar que a maçonaria é uma força viva. É uma associação extraordinária e que nós temos uma entidade que tem o compromisso maravilhoso, não só com a pátria, mas como com nós mesmos e om a sociedade. Só que nós não podemos fazer a prática de uma Maçonaria, hoje, baseada apenas nas práticas realizadas há trezentos anos.

— Nos reunimos de forma regular, mantemos todos os princípios ritualísticos, iniciáticos, tudo isso de forma muito responsável. O que que nós não queremos hoje? Nós não queremos ficar aleijados da liberdade e de sermos escravos da opressão. Nós não queremos que o nosso limite de contribuição, de filosofia, de fraternidade, de liberdade seja subjugado ou colocado à prova de quem não convive conosco.

— Então essa moderna Maçonaria disruptiva, não é uma Maçonaria revoltada, que está fora do contexto. Muito pelo contrário, é uma entidade que paga o preço por essa liberdade.

— Eu entendo que a Corporação Maçônica da Bahia, o GOSP e outras que estão se formando juntamente conosco, não quer ser melhores do que ninguém e não estão preocupados com a competitividade aritmética do número de irmãos ou qualquer outra coisa nesse sentido. O que que nós queremos? Valorizar a Maçonaria através das nossas ações. A nossa maçonaria, ela tem que estar na rua, participando da sociedade, tem que mostrar para que veio, tem que estar na sociedade. Os nossos líderes, os maçons que compõem os quadros das Lojas e dos Orientes têm que estar no segmento social fazendo trabalho maçônicos, sendo líderes eficazes e transformadores.

Perfil do entrevistado

Benedito Marques Ballouk Filho é grão-mestre do Grande Oriente de São Paulo (GOSP) com mandatos de 2007 a 2011, de 2015 a 2019 e, atualmente, com início em 2021 e término em 2024. Ele é advogado formado pelas Faculdades Metropolitanas Unidas, pós-graduado em Direito do Trabalho pela Universidade São Francisco da USP. Mestre em Direito do Trabalho pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A.S.A.M. University – Roma – Italia – Master in Diritti Umani – honroris causa – 13 de março de 2.005. Professor de Direito do Trabalho – Universidade São Francisco. Professor de Direito do Trabalho em diversos cursos preparatórios para ingresso nas Carreiras Jurídicas. Professor da Escola de Contas Conselheiro Eurípedes Sales do Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Conselheiro da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo – gestões Nov/93 a dez/94 e de dez/94 a dez/96. Foi Vice-Presidente Região Sudeste da Federação Nacional dos Advogados e atualmente é Secretário de Finanças Adjunto. Presidente da Comissão da Organização do Movimento Ética na Política da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção SP.

Confira vídeo


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