Salvador: Documentário estrelado por Linn da Quebrada é exibido em sessão de cinema na UFBA

O Cineclube Nanook realiza, na próxima quinta-feira (04/05/2023) às 17 horas, na sala 7A da Faculdade de Comunicação da UFBA, a segunda sessão do ciclo Corpos traçados pela luz: (r)existências e corporificações do ser. Após a exibição do documentário Bixa Travesty (2018), dirigido por Claudia Priscilla e Kiko Goifman, o público poderá participar de um bate-papo sobre o tema do ciclo com base no filme.

Com prêmio de Melhor Documentário no Festival de Berlim, onde estreou, Bixa Travesty tem como protagonista e co-roteirista a cantora trans negra Linn da Quebrada, que usa seu corpo e suas atuações como armas para combater o machismo, a transfobia e o racismo. Ao longo de sua jornada, ela fala de como foi crescer nas favelas de São Paulo, enquanto queer negra, e os desafios de entrar na cena funk heteronormativa do Brasil. Diante do preconceito, suas canções são um discurso de resistência no país que mais mata transexuais no mundo inteiro. O ingresso para a sessão desta quinta-feira (04.05) é gratuito, mas condicionado ao preenchimento de um formulário online. Quem comparecer estará concorrendo ao sorteio de uma camiseta do Cineclube Nanook.

O debate será realizado com a participação da atriz, cineasta e professora de Teatro Xan Marçal, mestranda em Antropologia pela UFBA que tem trabalhado com as questões relacionadas às transancestralidades e às cosmovisões de transições que apontem questões de gênero e sexualidade afro-indígenas e kaabokas na Amazônia Paraense. Iauaraete (2020), seu filme de estreia, circulou em festivais de cinema nacionais e internacionais. Em parceria com a artista pernambucana LIBRA, estreou seu primeiro longa-metragem, Sob a Terra do Encoberto, em março de 2022, em Berlim.

A segunda convidada do debate é a cineasta Letícia Ribeiro, formada em Cinema e Audiovisual pela UFRB. Começou sua carreira em 2008 no Estúdio do Vila (Teatro Vila Velha) e, desde então, vem realizando, produzindo curtas e longas-metragens independentes e trabalhos freelancers. Fundou o coletivo de mulheres realizadoras Benditas Tetas e atuou por anos no Coletivo Gaiolas. Dirige, ilumina, filma, monta, faz som direto e roteiriza. Desde 2017, coordena o Cine Trans Territorial e a Mostra M A R (Mulheres Ativismo Realização). Atualmente é Mestranda em Comunicação, Mídias e Formatos Narrativos pela UFRB.

A conversa será mediada por Everaldo Asevedo, doutorando pelo Póscom/UFBA, onde desenvolve o projeto de pesquisa Imagens (cosmo)políticas e cosmopoéticas de sexualidades descolonizadas no cinema gay brasileiro do século XXI: um estudo a partir de Karim Aïnouz, Hilton Lacerda e Daniel Ribeiro. Atualmente, é pesquisador do LAF/Póscom e do Observatório do Audiovisual Baiano e integra a equipe do Laboratório Audiovisual, responsável pela produção do NordesteLAB. O debate começa às 18h15 e também pode ser acompanhado pelo Canal LAF no Youtube.

Resultante do trabalho de curadoria realizado por Bruno Leite, Everaldo Asevedo, Grace Stolze, Isadora Araújo e Raquel Salama, a proposta deste ciclo é exibir e debater documentários que abordem a complexa trama entre o mundo e o corpo, um escopo que privilegie em primeiro plano a dimensão do corpo e as formas de ser e existir no mundo. O corpo é resultado da integração entre as dimensões sociais, culturais e biológicas. Essa concepção supera a visão de corpo fragmentada difundida nos espaços escolares e engloba abordagens relacionadas às relações de gênero, étnico-racial, religião, estereótipos e das práticas corporais de movimento. Assim, os debates serão feitos com a interface cinema e corpo em vários contextos, buscando refletir sobre como os filmes estão abordando o corpo nas suas mais diversas representações.

O Cineclube Nanook acontece toda primeira quinta-feira de cada mês, em formato híbrido. Em ciclos temáticos, o evento tem como objetivo oferecer um espaço de aprendizado e experiências acerca do universo do cinema documentário. Trata-se de um projeto de extensão desenvolvido por integrantes do núcleo Nanook, de estudos do cinema documentário, vinculado ao Laboratório de Análise Fílmica (LAF), um grupo de pesquisa em cinema e audiovisual do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas (Poscom), da UFBA. Coordenado pela professora Morgana Gama, pós-doutoranda do programa, e supervisionado pelo prof. José Francisco Serafim, o projeto tem, desde agosto de 2021, o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UFBA.


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