– Clementino, esta será a sua Capela Sistina. Recorde que ninguém lembra de quem motivou o artista visionário a realizar tal obra, em Roma. Porém, todos exultam com o nome do genial Michelângelo.
Clementino Almeida nasceu em Xapuri – Acre, e é filho de dona Selva e seu Zé Raimundo. Artista plástico, muralista e grafiteiro, Clementino veio ao mundo Terra em 14 de novembro de 1983, aparado pela parteira Maria Borges, sua tia, nas densas matas do Seringal Nova Amélia, Colocação Bom Lugar, lugar onde a medicina científica não chegava, e os humildes seringueiros eram medicados por erveiras, rezadeiras, benzedeiras… e os bebês aparados por leigas parteiras.


Xapuri se projetou mundialmente como a terra de Chico Mendes, líder ambientalista defensor dos povos da floresta. Gestado na época das lutas sociais pelo direito à terra em que trabalham, possivelmente Clementino participou dos “empates” ainda na barriga da selvícola mamãe. “Empate” era o nome que se dava a luta dos povos da floresta contra os grileiros de terra e os desmatadores, inimigos do meio ambiente.
O longíquo município de Xapuri localiza-se na Tríplice Fronteira – Brasil, Peru e Bolívia. Viveu a dinâmica do 1º e 2º Ciclos da Borracha, recebendo levas de migrantes nordestinos que, tangidos pela seca do sertão, vinham ao Norte em busca de oportunidades. Nordestinos que se tornaram valorosos “soldados da borracha”, contribuindo para a derrota do nazifascismo na II Grande Guerra Mundial (1939 – 1945).
Foi lá em Xapuri, início do Século XX, que o jovem negro maranhense, descendente de escravos, Raimundo Irineu Serra, conheceu a luz da ayahuasca, bebida de poder inacreditável, e recebeu da Virgem da Conceição, Rainha da Floresta, a linda missão de doutrinar o mundo inteiro.
Do seringal para a cidade
Em busca de escola para os filhos que cresciam, seu José Raimundo se muda para a sede do município, a Cidade de Xapuri. Aos 7 anos de idade, o menino Clementino realiza o Curso Básico de Desenho, por correspondência, pelo Instituto Universal Brasileiro; depois, o jovem rapaz conclui o Ensino Médio no Colégio Divina Providência.
Aos 16 anos, realiza o Curso de Desenho e Pintura na Fundação Chico Mendes, na sua cidade natal.


Vocação para as artes plásticas
Muito antes de ler e escrever, o menino Clementino aprendeu a desenhar, usando os “dons que lhe foram dados pela graça de Deus” (Romanos 12:6).
Tudo lhe servia para o exercício da arte: com um pedaço de carvão sobre o fogão a lenha, desenhava; nas paredes de adobe da humilde casa paterna, desenhava e pintava gravuras com temas dos programas infantis de televisão, das revistas em quadrinho e, depois, de animais, árvores, folhas, flores e frutos do reinado da Rainha da Floresta. Passou a usar a colorida tinta de urucum.
Certo dia, sentindo o seu horizonte artístico estreitado pelas limitações da pequena cidade, sobe em uma velha bicicleta e pedala 190 quilômetros até a Capital do Acre, Rio Branco, onde resolve morar e estudar. A aventureira viagem não se deu sem percalços: a estropiada bike quebrava tanto, que ele mais a carregava do que era por ela transportado.
Em Rio Branco, prossegue a sua capacitação artístico-profissional: em 2007, na Usina de Arte João Donato, realiza o Curso Técnico de Artes Visuais; 2009, Licenciatura em Artes Visuais, EaD da UNB – Ensino a Distância da Universidade de Brasília – com aulas presenciais no Polo de Rio Branco – Acre.
Clementino foi aluno do artista plástico acreano Uélinton Santana, seu mestre; reconhecendo nele os dons para a pintura, foi incentivado pelo mestre peruano Jorge Rivasplata. Sem recursos para pagar as aulas na Escola de Artes Rivasplata, quando tinha oportunidade, o jovem pintor ficava mirando o velho mestre trabalhar, aprendendo por observação.
O jovem pintor partilha o seu saber exercendo a função de docência. Retorna a Xapuri e promove o Curso de Desenho e Pintura ‘Preservando com Arte’, pela Fundação Elias Mansur, em 2007.
Nesta época, é premiado por 2 vezes, com o 1º lugar, no Salão Hélio Melo, Categoria Desenho (2006 e 2008).
Clementino Almeida tem obras espalhadas pelo mundo inteiro: Bolívia, Peru, Argentina, Chile, Colômbia, EUA, Japão, Canadá, Dinamarca, Italia e, atualmente, é representado pelo marchand Charles Figueiredo, na França.
Sua arte em mural ornamenta paredes pelo Brasil inteiro, em igrejas do Daime e em grafites urbanos
Clementino Almeida e a luz da Ayahuasca
Clementino bebeu Hoasca pela 1ª vez em Xapuri, 2003. Logo depois, conheceu o Santo Daime na Comunidade Virtudes, em Cobija – Bolívia. Passou a comungar regularmente a Santa Bebida com indígenas e caboclos xapurienses.
Participou da execução do curta-metragem de animação Awara Nane Putane – Uma História do Cipó (2013), dirigido pelo premiado cineasta Sérgio de Carvalho. Clementino desenhou e pintou centenas de ilustrações para este filme, sob a luz e a força desta bebida de poder inacreditável.
Conheceu o centro de Daime Ceflimmavi em 2005, a convite de Sérgio de Carvalho, na Vila Irineu Serra, terras sagradas do Alto Santo, onde o Mestre Raimundo Irineu Serra, Rei Juramidã, replantou a Santa Doutrina.
Filho de Inti e da Rainha da Floresta, Clementino Almeida de Lima recebe o fardamento no Exército do General Juramidã e a Estrela no peito, pelas mãos do Mestre Conselheiro Luiz Mendes do Nascimento.
A Capela Sistina de Clementino Almeida
Recentemente, Clementino foi convocado por um anônimo entusiasta de seus dons, a pintar uma arte em mural, na querida Vila Irineu Serra, que lhe disse:
– Esta será a sua Capela Sistina. Recorde que ninguém lembra de quem motivou o artista visionário a realizar tal obra, em Roma. Porém, todos exultam com o nome do genial Michelângelo.
(No corpo deste texto, contemplem as fotos do mural “Floresta Encantada”, obra do artista plástico acreano Clementino Almeida, filho da Selva).
Contato de Clementino Almeida
+55 68 99969-6384 Telefone e WhatsApp
No Instagram: @tino_txai_arts













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