Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos de 8 de Janeiro de 2023, o ex-chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar do Distrito Federal, Jorge Naime, revelou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) comunicou sobre ameaças de invasão das sedes dos Três Poderes na manhã do dia 7 de janeiro.
Segundo Naime, o alerta foi emitido por volta das 10h através de um grupo de Whatsapp que reunia representantes de órgãos de inteligência. O coronel destacou que nenhum membro de seu departamento fazia parte desse grupo.
“O que me causa estranheza é que no dia 7, às 10 horas da manhã, a Abin informa claramente que estava confirmado, que tinha uma confirmação de invasão de prédios públicos, e isto foi relatado nesse grupo. Isto foi relatado nesse grupo, às 10h da manhã”, afirmou Naime durante seu depoimento.
Naime admitiu não saber se o secretário interino de Segurança Pública do Distrito Federal tinha conhecimento dessas informações. Ele ressaltou a importância de verificar onde essas informações foram parar. Caso tenham chegado ao nível do Secretário e Comandante-Geral, Naime questionou a falta de providências tomadas, considerando que o Gabinete de Gestão de Crise deveria ter sido acionado ou se as informações de inteligência não foram repassadas ao Secretário. Ele apontou que relatórios indicavam que o Secretário estava constantemente informando ao Governador que estava tudo bem e que estava tudo monitorado.
Durante seu depoimento, Naime também criticou o Exército, alegando que os militares impediram a Polícia Militar do Distrito Federal de desmobilizar o acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército em dezembro de 2022.
“A gente foi impedido. Não conseguimos fazer nem metade do que estava previsto, nem do que não estava previsto, não conseguimos fazer. A PM ficou em um descrédito muito grande. Lembrando que, sobre isso aí, nós estamos falando de 29 de dezembro, que foi depois dos ataques do dia 12 de dezembro. O que motivava mais ainda a gente a querer acabar com aquele acampamento, e a gente foi impedido pelo próprio Exército Brasileiro”, relatou Naime.
O coronel destacou que a informação sobre o acampamento foi transmitida ao Comandante-Geral pelo General Dutra, chefe do Comando Militar do Planalto, mas não pôde afirmar se a ordem partiu especificamente dele.
Essas declarações de Naime foram dadas durante seu depoimento à Comissão Parlamentar de Investigação (CPI) dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em março deste ano. O Exército informou que o caso está sendo investigado pelas autoridades competentes.
Antes do depoimento, o coronel apresentou um atestado médico alegando falta de condições psicológicas para testemunhar perante os parlamentares. No entanto, posteriormente, Naime concordou em falar à CPMI após uma junta médica do Senado analisar sua situação e confirmar a veracidade do atestado. O presidente da comissão, deputado Arthur Oliveira Maia, expressou desconfiança em relação ao atestado, pois ele só foi apresentado após o Supremo Tribunal Federal negar um habeas corpus solicitado pela defesa do militar. O ministro Alexandre de Moraes determinou que Naime comparecesse ao Congresso, mas com o direito de permanecer em silêncio e não responder a todas as perguntas dos parlamentares.
Durante o interrogatório, a senadora Eliziane Gama, relatora da comissão, questionou o coronel sobre a mudança de opinião em relação a seu depoimento. Naime respondeu que, devido aos cinco meses de prisão, mudanças na rotina acarretaram “alterações mentais”, mas como já havia sido conduzido ao Congresso e estava na casa, decidiu comparecer e falar espontaneamente, mesmo não estando em sua melhor condição emocional.
Jorge Eduardo Naime, coronel da PM, foi preso em 7 de fevereiro e é acusado de omissão nos atos antidemocráticos.
*Com informações da Agência Brasil.
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