Causa quilombola em Feira de Santana segue exemplo de Pitanga dos Palmares após morte de mãe Bernadete

A busca por reconhecimento e justiça continua, refletindo uma luta ampla que atravessa várias comunidades e regiões.
A busca por reconhecimento e justiça continua, refletindo uma luta ampla que atravessa várias comunidades e regiões.

No cenário de lutas por demarcação territorial e regularização fundiária, comunidades quilombolas de Feira de Santana se unem em um movimento similar ao Quilombo Pitanga dos Palmares, onde recentemente foi assassinada a ativista Maria Bernadete Pacífico. Esse tema crucial para a preservação das tradições e direitos dessas comunidades foi debatido na Câmara Municipal durante a sessão desta terça-feira (29/08/2023). Membros e representantes de movimentos ligados à causa ocuparam as galerias da Casa da Cidadania, e alguns deles expressaram suas preocupações em Tribuna Livre.

O coordenador do Movimento Negro Unificado (MNU), Dilson Cerqueira, enfatizou a luta das comunidades quilombolas por demarcação territorial e regularização fundiária, destacando que apesar do apoio de diversas organizações, a batalha ainda não atingiu os resultados desejados. Ele ressaltou que o conflito por terras foi possivelmente a motivação para o assassinato de Mãe Bernadete, crime que tem ganhado projeção nacional e internacional. A morte dela reforça a necessidade de proteger os territórios e os direitos das comunidades negras quilombolas.

Isabel dos Santos, representante do Movimento Quilombola em Feira de Santana, informou que a cidade abriga cerca de 12 mil pessoas pertencentes a comunidades quilombolas, enquanto na Bahia o número chega a quase 400 mil. No entanto, ela lamentou a falta de políticas públicas e ações efetivas para garantir os direitos dessas comunidades, incluindo saúde e educação. Segundo ela, os territórios estão sendo fragmentados e degradados devido a desmatamentos e loteamentos.

O presidente do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento das Comunidades Negras e Indígenas de Feira de Santana, Arestides Maltez Júnior, acrescentou que o assassinato de Mãe Bernadete pode ter implicações religiosas, já que ela também era ialorixá em religião de matriz africana. Para ele, a líder quilombola representava uma religiosidade arraigada nas comunidades negras quilombolas.

Ivanide Santa Bárbara, proeminente liderança quilombola em Feira, interpretou o crime como um reflexo do racismo estrutural que permeia a sociedade. Ela convocou as pessoas negras a resistirem contra qualquer tentativa de opressão, reafirmando a necessidade de enfrentar o racismo de frente. O vereador Jhonatas Monteiro (PSOL) ressaltou que o assassinato de Mãe Bernadete expõe o que ocorre diariamente nas comunidades quilombolas, evidenciando as consequências do racismo persistente.

Nesse contexto de luta por direitos e reconhecimento, as comunidades quilombolas de Feira de Santana seguem o exemplo de Pitanga dos Palmares e buscam conquistar demarcação territorial e regularização fundiária, enfrentando desafios complexos e obstáculos sociais arraigados.


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