Mudanças climáticas aceleram a seca dos continentes, alerta estudo científico

Na esteira da Cúpula da Amazônia e do alarmante registro do mês de julho de 2023 como o mais quente já registrado, um novo estudo científico alerta para uma devastadora consequência do aquecimento global: os continentes estão enfrentando um processo acelerado de secamento. A pesquisa, publicada na revista Science Advances, aponta que a crescente evaporação da água na superfície do planeta está resultando em uma rápida e intensa perda de umidade nos continentes, o que tem graves implicações para a disponibilidade de água e ecossistemas terrestres. A RFI entrevistou Hervé Douville, climatologista da Météo France e coautor do estudo, que explicou as implicações dessas descobertas e ressaltou a urgência de ações para mitigar o problema.

De acordo com Douville, apesar dos esforços em desenvolver modelos climáticos precisos, a magnitude e a rapidez do ressecamento dos continentes estão superando as projeções. Ele observa que, embora os efeitos globais do aquecimento sejam bem compreendidos, as previsões regionais podem ser subestimadas ou superestimadas, levando à subavaliação do fenômeno de secagem. Desde o final do século XX, uma tendência de ressecamento vem se consolidando, afetando várias regiões, o que tem consequências graves para ecossistemas, produção agrícola e recursos hídricos.

Dados do programa europeu Copernicus evidenciaram que mais de 25% do continente europeu já estava sofrendo com a seca do solo desde o início de 2023, com regiões como a Escandinávia, Irlanda, norte da Polônia, Espanha, Turquia e costas ocidentais do Mar Negro enfrentando déficits de umidade. Essa situação tem provocado conflitos entre diferentes setores, como agricultores e ecologistas, à medida que a escassez de água se intensifica.

Para enfrentar essa crise, o climatologista enfatiza a necessidade de ações imediatas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, fator central no aquecimento global. Ele ressalta que, embora a secagem dos continentes possa ser evitada a longo prazo por meio da redução das emissões, a situação é crítica nas próximas duas décadas ou até que a neutralidade de carbono seja alcançada. Hervé Douville destaca que o aquecimento global está diretamente ligado às emissões acumuladas, e que o aumento dessas emissões resulta em um planeta mais quente e seco. Ações para limitar as emissões podem mitigar esse cenário, mas a tendência de seca e eventos climáticos extremos deve persistir pelo menos até 2050, com implicações devastadoras para ecossistemas e sociedades vulneráveis.

*Com informações da RFI.


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