Economista Affonso Celso Pastore alerta para desequilíbrio na economia brasileira; Gastos com pessoal e serviços da dívida pública comprometem fundamentos

Affonso Celso Pastore: Hoje, o motor de crescimento do PIB é público, não privado. Tirando o agro, quem está fazendo o crescimento é o governo. Esse crescimento que está aí não se sustenta. No momento que ele não se sustentar, esse conflito fiscal e monetário —que foi muito agudo antes de o BC, naquela decisão dividida, ter baixado 0,5 ponto percentual na Selic— vai emergir de novo, com mais força.
Affonso Celso Pastore: Hoje, o motor de crescimento do PIB é público, não privado. Tirando o agro, quem está fazendo o crescimento é o governo. Esse crescimento que está aí não se sustenta. No momento que ele não se sustentar, esse conflito fiscal e monetário —que foi muito agudo antes de o BC, naquela decisão dividida, ter baixado 0,5 ponto percentual na Selic— vai emergir de novo, com mais força.

O economista e ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, expressou preocupação com a atual situação econômica do Brasil em uma entrevista exclusiva. Ele destacou que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2023 está sendo impulsionado pelos gastos do governo, enquanto o setor privado está se retraindo. Pastore argumentou que essa dinâmica de crescimento insustentável poderá resultar em pressões por taxas de juros mais altas no futuro.

De acordo com o economista, a expansão da política fiscal do governo está elevando a taxa de juros neutra, que é aquela que equilibra a demanda com a oferta e o PIB potencial. Isso, por sua vez, reduz o efeito restritivo da política monetária. Pastore enfatizou que o crescimento atual está sendo impulsionado pelo setor público, com exceção do setor agrícola, enquanto o investimento privado tende a encolher devido ao aumento das taxas de juros.

Pastore prevê que o conflito entre o governo e o Banco Central, especialmente em relação às políticas de juros, ressurgirá à medida que a atividade econômica desacelerar. Ele também questionou a otimismo do governo em relação ao aumento da arrecadação, afirmando que existe um excesso de confiança em relação a essa perspectiva.

O economista alertou que o crescimento atual não é sustentável e que, quando esse cenário se tornar evidente, o conflito entre as políticas fiscal e monetária poderá se intensificar. Ele argumentou que a economia internacional, com desaceleração em países como a China e políticas monetárias restritivas nos Estados Unidos e na Europa, também pode afetar a economia brasileira.

Em relação à política fiscal, Pastore mencionou a necessidade de aumento de receita para cumprir as metas de resultado primário, mas observou que a política monetária restritiva e as taxas de juros mais altas podem limitar a capacidade de estímulo econômico.

*Com informações do Jornal Folha de S.Paulo.


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