Pela primeira vez em 50 anos, Estados Unidos registram mais migrantes saindo do que entrando, aponta estudo

Pela primeira vez em ao menos meio século, os Estados Unidos registraram migração líquida negativa, com mais pessoas deixando o país do que entrando. A constatação consta em estudo divulgado nesta quinta-feira (15/01/2026) pela Brookings Institution, que atribui a reversão às políticas migratórias mais restritivas adotadas no segundo mandato do presidente Donald Trump. Segundo o relatório, a tendência observada em 2025 deve persistir ao longo de 2026, com impactos relevantes sobre o crescimento econômico, o mercado de trabalho e o consumo no país.

Migração líquida negativa após cinco décadas

Migração líquida é o saldo entre o número de pessoas que entram e as que saem de um país em determinado período. De acordo com a análise da Brookings Institution, em 2025 o contingente de imigrantes que deixou os Estados Unidos provavelmente superou o de novos entrantes, caracterizando um marco histórico.

O estudo destaca que o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump foi marcado por mudanças profundas na política migratória, resultando em uma desaceleração expressiva dos fluxos migratórios. Para os pesquisadores, esse endurecimento rompeu uma tendência observada por décadas, na qual a imigração sustentava o crescimento populacional e econômico do país.

As estimativas apresentadas indicam que a migração líquida em 2025 foi próxima de zero ou negativa, variando entre menos 10 mil e menos 295 mil pessoas, intervalo que reflete incertezas estatísticas e metodológicas, mas que, ainda assim, confirma a inversão do padrão histórico.

Projeções para 2026 e incertezas políticas

A Brookings Institution projeta que o movimento deve continuar em 2026. Segundo o relatório, mesmo diante de um ambiente político incerto, os indicadores disponíveis sugerem a manutenção da migração líquida negativa ao longo do próximo ano.

Os autores ressaltam que a imprevisibilidade das decisões governamentais e eventuais ajustes nas políticas migratórias dificultam projeções mais precisas. Ainda assim, a avaliação predominante é de que não haverá reversão significativa no curto prazo.

O estudo também chama atenção para limitações recentes na disponibilidade e transparência dos dados oficiais, fator que amplia a margem de erro das estimativas e exige cautela na interpretação dos números.

Impactos econômicos e demográficos

Os pesquisadores alertam para os efeitos macroeconômicos diretos da desaceleração migratória. A redução do fluxo de imigrantes implica menor crescimento do emprego, do Produto Interno Bruto (PIB) e do consumo, em um contexto no qual o crescimento da população em idade ativa nascida nos Estados Unidos tem sido estruturalmente fraco.

O relatório enfatiza que, nos últimos anos, quase toda a expansão da força de trabalho americana decorreu da imigração, o que torna o país particularmente sensível a mudanças nesse fluxo. A migração, além de suprir mão de obra, exerce papel relevante na sustentação da demanda por bens e serviços.

A combinação entre envelhecimento populacional, baixa taxa de crescimento demográfico interno e retração migratória tende, segundo o estudo, a impor desafios adicionais à economia americana nos próximos anos.

*Com informações do jornal O Globo.


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