O programa Desenrola Brasil, que busca lidar com a crescente inadimplência no país, recebe críticas do economista Hugo Garbe. Para ele, o programa tem uma eficácia mais voltada para questões políticas do que econômicas e não deve ser capaz de resolver o problema subjacente da inadimplência. Garbe argumenta que o foco deve ser em melhorias estruturais mais abrangentes para garantir que as famílias tenham acesso a empregos, renda e educação.
“É muito mais paliativa, porque a pessoa que está com dívida precisa de mais emprego e mais renda. Ela precisa resolver a vida dela de forma estrutural. Muitas vezes a pessoa está desempregada, não tem renda. Então é preciso reformas estruturais para que as famílias tenham emprego, tenham renda, tenham mais educação e com mais educação no futuro ela vai conseguir ter uma renda maior, uma qualidade de vida. Então a medida é paliativa, são medidas mais cosméticas”, destaca o economista.
O programa Desenrola Brasil, criado pelo governo federal por meio da Medida Provisória 1.176/23, permitiu aos bancos renegociar R$ 11,7 bilhões em dívidas em sete semanas, beneficiando cerca de 6 milhões de clientes. Apesar dos números positivos, Garbe enfatiza que a verdadeira solução para a inadimplência reside em reformas estruturais que abordem o desemprego e a falta de renda.
O Brasil enfrenta uma dívida total de R$ 351,6 bilhões, com 71,41 milhões de pessoas com alguma pendência, de acordo com a Serasa. O segmento de “Bancos/Cartão de crédito” é responsável por 29,54% das dívidas, seguido por “contas básicas, como água, luz e gás” (23,94%) e “financeiras” (15,20%).
Felipe de Barros Lima, coordenador da área de direito do consumidor do escritório Silveiro Advogados, ressalta a importância da educação financeira para aqueles que participam do programa Desenrola Brasil, a fim de evitar futuras inadimplências. Ele destaca a relevância do curso de educação financeira previsto no programa para melhorar a gestão econômica doméstica dos consumidores.
O Desenrola Brasil se concentra principalmente na faixa 1, que visa pessoas físicas com renda de até dois salários mínimos ou inscritas no Cadastro Único do governo federal, com dívidas financeiras não superiores a R$ 5 mil. O programa pretende, em última instância, restaurar a capacidade de renda das pessoas, facilitando a renegociação de dívidas e removendo os registros negativos nos órgãos de proteção ao crédito.








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