Estado Disfuncional: Brasil enfrenta crise financeira e colapso nas prefeituras devido a juros altos, gastos excessivos com pessoal e baixa capacidade de investimento público

A vista noturna de Brasília revela uma imagem impactante da capital federal, representando uma síntese das contradições do país. Ela se destaca como uma ilha de riqueza em meio à paisagem do povo que a sustenta, frequentemente enfrentando dificuldades econômicas.
Vista aérea noturna de Brasília. Capital federal é a síntese das contradições do país, uma ilha de riqueza cercada pelo depauperado povo que a sustenta.

O Brasil está mergulhando em uma crise financeira que tem colocado prefeituras de diversos estados em uma situação de colapso. O país enfrentava desafios econômicos antes mesmo da pandemia, mas a elevada taxa de juros, os gastos substanciais com pessoal e a baixa capacidade de investimento estão exacerbando a situação. Recentemente, a União dos Municípios da Bahia (UPB) convocou uma reunião de emergência para discutir a crise financeira que está afetando as prefeituras baianas, com uma queda de quase 30% no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no início de setembro.

Em agosto de 2023, o FPM havia registrado uma queda de 7,95% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esses números alarmantes indicam que a situação financeira das prefeituras está se deteriorando rapidamente, o que tem dificultado o pagamento de folhas salariais, fornecedores e serviços essenciais à população. O presidente da UPB, prefeito Quinho de Belo Campo, expressou preocupação com a situação, destacando que a inflação continua alta e as demandas por serviços públicos estão crescendo, enquanto as receitas municipais estão em queda livre.

Os prefeitos têm defendido diversas medidas para minimizar o impacto da crise, incluindo a aprovação da PEC 25/2022, que propõe um aumento de 1,5% no FPM, o PLP 94/2023, que visa recompor as perdas de ICMS com um potencial benefício de R$ 6,8 bilhões para todos os municípios brasileiros em três anos, e o projeto de Lei 334/2023, que busca reduzir a alíquota patronal dos municípios pagos ao INSS de 22,5% para 8%. Além disso, eles também têm solicitado um Auxílio Financeiro aos Municípios (AFM) da União de forma emergencial.

Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que o primeiro decêndio de setembro teve uma queda nominal de 28,22% em relação ao mesmo período do ano anterior, intensificando ainda mais o cenário de crise nas prefeituras. A CNM aponta que essa queda no repasse pode ser atribuída ao expressivo aumento das restituições do Imposto de Renda e à redução de 24% na arrecadação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), causada pela diminuição dos lucros das empresas ligadas à exploração de commodities.

A crise financeira que afeta as prefeituras brasileiras é um reflexo do Estado Disfuncional do país, com altas taxas de juros, despesas descontroladas com pessoal e falta de investimento adequado. As administrações municipais estão à beira do colapso, e medidas urgentes precisam ser tomadas para evitar o completo caos administrativo.

Estado disfuncional do Brasil, elevada taxa de juros, substantivos gastos com pessoal e baixa capacidade de investimento

Em 2 de agosto de 2023, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) reduziu a taxa de jutos de 13,75% ao ano para 13,25% ao ano, mantendo o Brasil com a maior taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) do mundo, tornando o crédito mais caro para prefeituras e empresas, aumentando os custos de financiamento e afetando a capacidade de investimento.

Além disso, o gasto com pessoal na estrutural estatal brasileira tem crescido de forma descontrolada, comprometendo parcela significativa das receitas, principalmente, de estados e municípios.

De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), os municípios não podem gastar mais de 60% da sua Receita Corrente Líquida com pessoal, mas muitos deles já ultrapassaram esse limite.

A baixa capacidade de investimento decorre da combinação de altos gastos com pessoal e a queda nas receitas, o que tem levado muitas prefeituras a dependerem quase que exclusivamente dos repasses federais, como o FPM, para cobrir suas despesas básicas.

Diante desse cenário, as prefeituras enfrentam dificuldades crescentes para manter os serviços públicos em funcionamento e atender às demandas da população, o que demonstra a urgência de uma revisão nas políticas econômicas e fiscais do país para evitar um colapso administrativo generalizado.

República do Brasil serve a elite empresarial do serviço público, ao passo em que Estado Disfuncional amplia a desigualdade estrutural da sociedade. (Iluminação no Congresso Nacional e Museu Nacional, alusiva ao 7 de setembro Democracia, Soberania e União)
República do Brasil serve a elite empresarial do serviço público, ao passo em que Estado Disfuncional amplia a desigualdade estrutural da sociedade. (Iluminação no Congresso Nacional e Museu Nacional, alusiva ao 7 de setembro Democracia, Soberania e União)

Leia +

Editorial: Burocracia estatal brasileira transforma militares e civis em supercasta de privilegiados; Superjuros contribuem para reduzir capacidade de investimento do país

Brasil tem 32 milhões de crianças e adolescentes na pobreza, alerta Unicef; Na Bahia, 77 de cada 100


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.