O Hamas é uma organização com duplo sentido. Para alguns, trata-se de uma organização nacionalista palestina e islamista, sediada na Faixa de Gaza desde a década de 1980, quando surgiu. O termo Hamas é oriundo de Ḥarakat al-Muqāwamat al-Islāmiyyah, que significa “Movimento de Resistência Islâmica”. Para outros, é apenas uma das muitas organizações que os Estados Unidos e aliados denominam ” terroristas”.
Segundo o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, “O Hamas não é uma organização terrorista, mas um grupo pela libertação e de combatentes que lutam para proteger as suas terras e os seus cidadãos”, Para ele, “O Ocidente se uniu e vê o Hamas como uma organização terrorista. Israel, você pode agir como uma organização, porque o Ocidente lhe deve muito. Mas a Turquia não lhe deve nada”.
Enquanto isso, a ONU, enfraquecida, não consegue aprovar uma resolução capaz de por um fim a um conflito que já matou milhares de pessoas, a maioria crianças. A situação ficou pior depois do discurso do Secretário Geral das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, afirmando que “É importante reconhecer que os atos do Hamas não aconteceram por acaso. O povo palestino foi submetido a 56 anos de uma ocupação sufocante. Eles viram suas terras serem brutalmente tomadas e varridas pela violência. A economia sofreu, as pessoas ficaram desabrigadas e suas casas foram demolidas”.
Na fala de Guterres se depreende que o Hamas, como as demais organizações que defendem um Estado Palestino, entende que israel é uma potência invasora, e que, nessa guerra insana, já matou cerca de 35 funcionários da ONU e milhares de civis e crianças palestinas. Erdogan destacou que metade dos mortos nos ataques de Israel a Gaza são crianças. “Dizemos, não matem crianças. Matar pessoas, mulheres e crianças – pessoas inocentes, durante dias a fio não é justificável, mesmo que seja em resposta a alguns atos que não toleramos.”
Realmente, tanto os palestinos como os israelenses sofrem com a guerra. Desde 7 de outubro que os militares israelenses lançam ataques implacáveis e um bloqueio total do território palestino, matando pelo menos 5.087 pessoas, incluindo 2.055 crianças, segundo o Ministério da Saúde palestino em Gaza. Por sua vez, o Hamas matou cerca de 1400 israelenses e fez 240 reféns.
Quando a guerra acabar a Faixa de Gaza vai precisar de bilhões de dólares em ajuda econômica internacional para compensar anos de restrições que sufocaram e sufucam sua economia, conforme o relatório publicado pelo órgão de comércio da Organização das Nações Unidas: “Os doadores e a comunidade internacional precisam estender a ajuda econômica significativa para reparar os danos extensos que Gaza tem sofrido sob restrições e fechamentos prolongados e operações militares frequentes, o que sufocou a economia e dizimou sua infraestrutura”.
O mundo precisa reagir para que Israel e a Palestina vivam em paz. Se não conseguir, sempre haverá guerra entre esses dois povos, que, por sinal, são primos.
*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.








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