O que se sabe sobre a autoria dos assassinatos dos médicos da Bahia e de São Paulo no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, um crime chocante abalou a comunidade médica e a sociedade em geral. Três médicos foram mortos a tiros na Barra da Tijuca, e as investigações apontam para a possibilidade de que as vítimas tenham sido confundidas com milicianos por seus agressores. O crime ocorreu em uma ação rápida, que durou menos de um minuto e resultou em 33 disparos de arma de fogo na Avenida Lúcio Costa.

Os médicos Marcos de Andrade Corsato, de 62 anos, Perseu Ribeiro Almeida, de 33 anos, e Diego Ralf Bonfim, de 35 anos, foram alvos do ataque. Marcos Corsato era especialista em cirurgias de pé e tornozelo e era altamente respeitado na área médica. Perseu Ribeiro trabalhava no interior da Bahia e estava no Rio para um congresso médico. Diego Bonfim era irmão da deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e tinha expertise em reconstrução óssea.

O crime, ocorrido na madrugada de quinta-feira (05/10/2023), durante o 6º Congresso Internacional de Cirurgia Minimamente Invasiva do Pé e Tornozelo, no Hotel Windsor na Barra, deixou a comunidade médica em choque. Os profissionais da saúde foram homenageados no evento com um minuto de silêncio pelas vítimas.

Médicos Assassinados: Polícia investiga múltiplas linhas de caso

O Ministro da Justiça, Flávio Dino, revelou que a polícia está explorando “duas ou três” linhas de investigação para esclarecer o terrível crime ocorrido na madrugada desta quinta-feira. O ataque, que resultou em 33 tiros disparados, tirou a vida de Marcos de Andrade Corsato, Perseu Ribeiro Almeida e Diego Ralf Bonfim. Este último era irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e cunhado do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).

Em uma coletiva de imprensa em Salvador, onde estava para tratar de questões de segurança pública, Flávio Dino declarou que os investigadores já possuem indícios que podem apontar para a autoria do crime. Ele afirmou que as autoridades estão tratando o caso como uma execução, não um crime patrimonial.

“Há duas ou três linhas de investigação que estão sendo percorridas. O fato de haver proximidade com dois deputados federais faz com que nós tenhamos essa presença da Polícia Federal”, disse Dino. Ele enfatizou a seriedade das investigações e o esforço conjunto das três esferas federativas para lidar com a situação grave que o Rio de Janeiro enfrenta.

Uma das hipóteses investigadas é a de que Perseu Ribeiro Almeida tenha sido confundido com o filho de um miliciano, devido à semelhança física entre eles. A execução poderia ter sido encomendada para eliminar Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, filho de um dos principais líderes da milícia na zona oeste do Rio de Janeiro, Dalmir Pereira Barbosa.

No entanto, os policiais não descartam a possibilidade de motivação política no crime e continuam avaliando outras direções para a investigação. André Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, considera que o crime pode estar relacionado à atividade parlamentar da deputada Sâmia Bomfim ou do deputado Glauber Braga. A deputada já havia registrado ameaças de morte no ano anterior.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) está investigando o caminho percorrido pelos criminosos e analisando a possibilidade de que algo tenha ocorrido durante o deslocamento do grupo de São Paulo para o Rio. A princípio, os indícios apontam para uma execução planejada.

O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, solicitou que a Polícia Federal acompanhe a investigação devido à “hipótese de relação com a atuação de dois parlamentares federais”. Sâmia Bomfim, irmã de uma das vítimas, é casada com o também deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ).

A investigação do caso sugere que os médicos possam ter sido confundidos com um dos principais milicianos da zona Oeste carioca, Taillon de Alcântara Pereira Barbosa, que mora próximo ao local do ataque. A polícia também está explorando outras linhas de investigação, incluindo motivação política. No entanto, até o momento, não há evidências claras de motivação política para o crime.

Deputados do PSOL do Rio cobram aceleração das investigações

Na quinta-feira (05/10), os deputados estaduais Professor Josemar e Flávio Serafini, ambos do PSOL do Rio de Janeiro, anunciaram sua determinação em pressionar por uma investigação ágil do assassinato de três médicos em um quiosque na orla da Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. Uma das vítimas, Diego Ralf Bomfim, era irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e cunhado do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ). As outras vítimas são Marcos de Andrade Corsato e Perseu Ribeiro. Um quarto médico ficou ferido e está hospitalizado na região.

Os deputados do PSOL prestaram assistência no Instituto Médico Legal (IML) a pedido da família de Diego Ralf Bomfim, auxiliando nos procedimentos legais referentes à documentação e transporte do corpo para Presidente Prudente, interior de São Paulo, onde residem os pais do médico e onde ocorrerá o funeral.

Em relação às investigações, os parlamentares confirmaram que a deputada Sâmia Bomfim e sua família vinham recebendo ameaças, mas até o momento, o motivo do crime permanece desconhecido.

Enquanto o presidente do PSOL no Rio de Janeiro, deputado federal Tarcísio Motta, afirmou que “nada indica” que tenha havido motivação política para os assassinatos.

Investigação prossegue

As investigações estão em andamento, e a Polícia Federal está auxiliando nas apurações. O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, classificou o crime como “bárbaro” e prometeu que os responsáveis não ficarão impunes.

Corpos dos médicos mortos no Rio de Janeiro serão velados e sepultados

Os corpos dos três médicos ortopedistas de São Paulo, tragicamente mortos a tiros em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, já foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) e suas famílias se preparam para os velórios e sepultamentos que ocorrerão nesta sexta-feira (06/10/2023).

O médico Diego Bomfim, irmão da deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), terá seu velório às 10h desta sexta-feira na Casa de Velório Athia, localizada em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O sepultamento está programado para o sábado (7), às 8h20, no Cemitério Municipal Campal, na mesma cidade.

Marlise Corsato, irmã do médico Marcos Corsato, está encarregada da organização da cerimônia fúnebre de seu familiar. A família ainda está finalizando os detalhes do local para o velório e sepultamento, de acordo com comunicado publicado nas redes sociais.

O corpo do médico Perseu Almeida será transportado por via aérea na tarde desta sexta-feira (6) para Ipiaú, na Bahia. O velório acontecerá ainda hoje na Loja Maçônica da cidade, com o sepultamento previsto para sábado (7).

A Prefeitura de Ipiaú emitiu uma nota expressando suas condolências à família da vítima e destacou a dedicação do profissional ao Hospital Geral de Ipiaú, onde atendeu a comunidade local nos últimos cinco meses.

Complexidade e violência que envolvem as milícias no Brasil

O assassinato dos médicos no Rio de Janeiro é um evento trágico que abalou a sociedade brasileira. A hipótese de que os médicos tenham sido confundidos com milicianos destaca a complexidade e a violência que envolvem as milícias no Brasil, especialmente no estado do Rio de Janeiro. As milícias são grupos criminosos armados compostos principalmente por policiais, bombeiros e outros agentes do Estado, que atuam ilegalmente em áreas urbanas e rurais, controlando territórios e frequentemente envolvidos em extorsão, assassinatos e tráfico de drogas.

A morte dos médicos também levanta preocupações sobre a segurança no Rio de Janeiro, uma cidade que enfrenta altas taxas de criminalidade e violência armada. A investigação está em andamento, e é fundamental que as autoridades esclareçam as circunstâncias do crime e levem os responsáveis à justiça para que casos semelhantes sejam prevenidos no futuro.

Este incidente também destaca a necessidade de promover um debate amplo sobre a segurança pública e a atuação das milícias no Brasil, bem como medidas eficazes para combater a violência armada e proteger a vida dos cidadãos.

Leia +

Execução de médicos da Bahia e de São Paulo no Rio de Janeiro revela conexões obscuras no submundo do crime; Suspeitos podem ter sido mortos

Médicos da Bahia e São Paulo são assassinados no Rio de Janeiro


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.



Uma resposta a “O que se sabe sobre a autoria dos assassinatos dos médicos da Bahia e de São Paulo no Rio de Janeiro”


Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading