Presidente Lula repete estratégia de Bolsonaro e irriga áreas sob controle do Centrão com R$ 1,3 bilhão

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma estratégia semelhante à utilizada por seu antecessor, Jair Bolsonaro, ao liberar mais de R$ 1,3 bilhão em recursos para órgãos sob a influência do Centrão. A medida, que tem como objetivo atender às demandas de parlamentares e reforçar a base de apoio no Congresso, vem sendo alvo de críticas quanto à transparência e à maneira como os recursos são direcionados.

Os órgãos que mais ganharam recursos nessa iniciativa foram a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf) e do Parnaíba, além do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Esses órgãos são preferidos pelo Centrão devido à sua capacidade de pagamento rápido e à menor burocracia.

Pela primeira vez desde o início de seu governo, Lula liberou esses vultosos recursos através de projetos de lei, o que levantou questionamentos sobre a falta de transparência nas negociações entre o Executivo e o Legislativo. Tais projetos foram elaborados para atender a demandas de parlamentares, sem o conhecimento público, de acordo com fontes do Congresso e do governo, conforme apurado pelo UOL.

A estratégia segue um padrão semelhante ao utilizado pelo governo Bolsonaro, que lançou mão de recursos para contornar vetos do Supremo Tribunal Federal (STF) ao orçamento secreto, resultando no aumento substancial dos recursos do Ministério da Defesa, que distribuiu cerca de R$ 1 bilhão a 24 parlamentares entre os anos de 2021 e 2022.

Essa movimentação de recursos começou em agosto, em meio a votações cruciais, como a reforma tributária e o arcabouço fiscal. Logo após a aprovação do arcabouço pela Câmara, em 22 de agosto, três ministérios (Integração e Desenvolvimento Regional, Defesa e Agricultura) solicitaram R$ 760 milhões para fortalecer os órgãos sob influência do Centrão nos dias 23 e 24 do mesmo mês.

Este aumento nos recursos distribuídos aos parlamentares ocorre em um momento em que o governo conseguiu expandir sua base no Congresso e, finalmente, obteve aprovação para uma série de medidas econômicas consideradas essenciais. No entanto, as críticas em relação à transparência e à maneira como esses recursos são alocados permanecem como um ponto de debate no cenário político nacional.

*Com informações da Sputnik News.


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