União Brasil quer manter o controle do Congresso Nacional nos dois últimos anos do Governo Lula 3; Deputado da Bahia tem protagonismo 

O partido União Brasil, que surgiu da fusão entre o Democratas e o Partido Social Liberal, enfrenta uma disputa interna para definir quem será o candidato à presidência da Câmara dos Deputados nas eleições de 2025. O atual presidente, Arthur Lira (AL), pretende se reeleger, mas enfrenta a resistência do líder do partido na Casa, Elmar Nascimento (BA), que também almeja o cargo. Enquanto isso, no Senado, o ex-presidente Davi Alcolumbre (AP) busca apoio para voltar ao comando da Casa, com o aval de Lira.

A eleição para as presidências das duas Casas legislativas é considerada estratégica para o cenário político nacional, pois define quem terá o poder de pautar as votações e conduzir os trabalhos do Congresso. Além disso, o presidente da Câmara é o segundo na linha sucessória da Presidência da República, atrás apenas do vice-presidente. O presidente do Senado também é o presidente do Congresso Nacional e tem a prerrogativa de convocar sessões conjuntas de deputados e senadores.

O União Brasil é atualmente o maior partido do país em número de parlamentares, com 121 deputados e 17 senadores. O partido também é um dos principais aliados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi eleito em 2022 para um terceiro mandato. Lula já manifestou sua preferência pela reeleição de Lira na Câmara e pela candidatura de Alcolumbre no Senado, mas evita se envolver diretamente na disputa interna do União Brasil.

A divisão no partido se acentuou após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a reeleição dos presidentes das Casas legislativas dentro da mesma legislatura. A PEC foi aprovada em outubro de 2023, após uma articulação liderada por Lira e Alcolumbre, que contou com o apoio de outros partidos do chamado “centrão”, como o PSD, o Republicanos e o PL. A proposta alterou o artigo 57 da Constituição Federal, que proibia a recondução dos membros das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente.

Com a mudança constitucional, Lira e Alcolumbre passaram a pleitear mais um mandato à frente das respectivas Casas. No entanto, eles enfrentam a oposição de outros parlamentares que também desejam concorrer aos cargos. No caso da Câmara, Elmar Nascimento é um dos principais adversários de Lira dentro do União Brasil. O deputado baiano argumenta que o partido deve respeitar um acordo firmado em 2021, quando Lira foi eleito presidente com o apoio do bloco formado pelo União Brasil e outras legendas. Segundo esse acordo, caberia ao União Brasil indicar um novo nome para suceder Lira em 2025.

Nascimento conta com o respaldo de outros líderes partidários, como Marcos Pereira (Republicanos-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP), que também fazem parte do bloco liderado pelo União Brasil. Além disso, Nascimento tem a simpatia de setores da oposição, como o PSDB e o PDT, que veem nele uma alternativa mais moderada e dialogante do que Lira. O deputado baiano também tenta atrair o apoio do PSD, que tem a segunda maior bancada da Câmara, com 38 deputados.

No entanto, Lira não parece disposto a abrir mão de sua candidatura e tem usado sua influência como presidente da Câmara para angariar apoios. O alagoano tem se aproximado de partidos como o PL, o Solidariedade e o Avante, que integram o centrão, mas não fazem parte do bloco liderado pelo União Brasil. Lira também tem buscado uma aproximação com legendas mais à esquerda, como o PSB e o PCdoB, oferecendo espaços nas comissões permanentes e nas relatorias de projetos de interesse desses partidos.

No Senado, a situação de Alcolumbre é mais tranquila, mas não menos complexa. O senador amapaense tem o apoio da maioria dos integrantes do União Brasil na Casa, com exceção de Rodrigo Pacheco (MG), que é o atual presidente e também pretende se reeleger. Alcolumbre também conta com a simpatia de outros partidos, como o PT, o MDB e o PSDB, que formam um bloco informal de sustentação ao governo Lula no Senado.

No entanto, Alcolumbre enfrenta a resistência de alguns senadores que defendem uma alternância no comando da Casa. Um dos nomes que se colocam como possíveis candidatos à presidência do Senado é o de Simone Tebet (MDB-MS), que já disputou o cargo em 2019, contra Alcolumbre, e em 2021, contra Pacheco. A senadora sul-mato-grossense tem o apoio de parte do seu partido, que é o maior do Senado, com 15 parlamentares. Ela também tem a preferência de legendas como o Cidadania, o Podemos e a Rede, que fazem oposição ao governo Lula.

Outro fator que pode complicar os planos de Alcolumbre é a relação com o PSD, que tem a segunda maior bancada do Senado, com 12 senadores. O partido tem um acordo com o União Brasil para apoiar Alcolumbre em troca do apoio à candidatura de Gilberto Kassab (SP) à presidência da Câmara. No entanto, esse acordo pode ser rompido caso Elmar Nascimento vença a disputa interna no União Brasil e se lance candidato à presidência da Câmara com o apoio do PSD.

A eleição para as presidências da Câmara e do Senado está prevista para ocorrer em fevereiro de 2025, logo após o início da última sessão legislativa do atual mandato dos parlamentares. A escolha dos presidentes das Casas é feita por voto secreto dos deputados e senadores, respectivamente. Os candidatos precisam obter a maioria absoluta dos votos para serem eleitos. Caso nenhum candidato alcance esse número no primeiro turno, é realizado um segundo turno entre os dois mais votados.

*Com informações do Jornal O Globo e Folha de S.Paulo.


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