O apoio do Irã ao Hamas no atual conflito contra Israel, no Oriente Médio, não deve passar da retórica, de acordo com o geógrafo Jorge Mortean, mestre em estudos regionais do Oriente Médio pela Escola de Relações Internacionais do Ministério de Relações Exteriores do Irã e doutorando em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP).
Mortean participou da mais recente edição do podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, desta terça-feira (07/11/2023).
Apesar da capacidade de combate do Irã, uma participação militar no conflito em favor da Palestina “é muito improvável”, afirmou ele. Um dos motivos, é o sucateamento das Forças Armadas iranianas.
“São equipamentos da época da revolução, ou seja, de mais de 40 anos. Apesar deles serem numerosos, o poder de fogo é bem baixo, perto de toda a tecnologia bélica de Israel e dos Estados Unidos, que já aportaram dois navios porta-aviões ali na região, caso o conflito venha escalonar não por parte israelense”, comentou.
Além disso, destacou o professor, o governo iraniano não teria nada a ganhar entrando mais diretamente no conflito, pelo contrário, poderia piorar a já debilitada situação financeira devido às sanções econômicas e a intensa crise política no cenário doméstico.
“Há cerca de um ano e meio praticamente, o governo iraniano enfrenta conflitos diários domesticamente. O presidente é extremamente impopular, e tem havido uma onda de revoltas internas”, comentou ele.
Caso entrasse em uma ofensiva militar contra Israel, o Irã teria que depender da ajuda russa, de acordo com Mortean, o que exigiria de Moscou abrir outra frente de batalha, além da já existente contra a Ucrânia.
Para o professor, que também é e doutorando em Geografia Humana pela USP, Irã e Israel cooperam e se ameaçam por debaixo dos panos, desde a revolução iraniana.
“Dentro desse xadrez geopolítico, com relação ao uso de forças pelo lado iraniano, ele não só comprometeria a segurança nacional e regional, como a própria estabilidade do regime. Nem na própria guerra do Iraque, quando o mundo pensou que todos os árabes se uniriam contra o Irã, houve essa tomada de lados”, argumentou.
Treinamento do Hamas por militares iranianos ‘não faz sentido nenhum’
A afirmação por parte de autoridades do Ocidente de que o Irã treinou militares do Hamas para atacarem Israel no último dia 7 de outubro, “revela mais uma imprudência do campo diplomático do que de fato uma comprovação”, avaliou o especialista.
“É uma hipótese muito surreal é improvável que os iranianos se infiltrariam, sem permissão, no território egípcio ou em território saudita, para treinar combatentes palestinos ultrassunitas que também não são tão alinhados com os palestinos, quanto os xiitas do Hezbollah no Líbano, para dar uma investida contra Israel. Não faz sentido nenhum”, argumentou.
O último ponto destacado pelo entrevistado é o fato de que o Hamas, que é sunita, historicamente, tem tido mais apoio da irmandade muçulmana egípcia, grupo de oposição ao governo egípcio, com preceitos islâmicos mais conservadores.
*Com informações da Sputnik News.
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