Em meio aos desafios socioambientais globais, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lança a edição temática nº 74 do Boletim Radar, enfocando a “produção do futuro”. Composta por cinco artigos, a publicação, marco inicial de uma série, instiga o debate sobre questões cruciais, desde cidades inteligentes até o papel do hidrogênio verde. O Boletim visa mapear o cenário produtivo do Brasil diante dos desafios da produção industrial sustentável.
A edição é composta por cinco artigos e inaugura uma série da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea, propondo-se a analisar a estrutura produtiva brasileira frente às exigências da produção sustentável. Mauro Oddo Nogueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, destaca a necessidade de repensar esse tecido produtivo, considerando os pilares da sustentabilidade: crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.
O desafio crítico identificado é a histórica desigualdade socioeconômica no Brasil, impactando não apenas o desenvolvimento econômico, mas também a preservação ambiental. A desigualdade social, segundo Nogueira, influencia o debate sobre a preservação do planeta, especialmente entre estratos de baixa renda focados na sobrevivência imediata.
Os cinco estudos apresentados nesta edição oferecem rotas para enfrentar os desafios identificados, contribuindo para o diálogo sobre o desenvolvimento sustentável. Questões como financiamento da indústria renovável, adoção de tecnologias digitais em cidades inteligentes e o papel crucial das pequenas empresas ganham destaque.
Os artigos abordam, também, a evolução do mercado de trabalho formal, os impactos da pandemia sobre a pobreza e a desigualdade, a avaliação da reforma da Previdência, a estimativa da produtividade total dos fatores na indústria e uma comparação internacional do desempenho econômico e social do Brasil.
Confira síntese dos dados da edição temática nº 74 do Boletim Radar
Mercado de trabalho formal no Brasil
O primeiro artigo aborda a evolução do mercado de trabalho formal no Brasil entre 2012 e 2019, com destaque para os setores de comércio e serviços, que foram os mais afetados pela recessão econômica e pelas medidas de isolamento social. O artigo mostra que esses setores, que representam cerca de 60% do emprego formal no país, perderam mais de 2 milhões de postos de trabalho entre 2015 e 2017 e recuperaram apenas 1,2 milhão entre 2018 e 2019. Além disso, esses setores apresentaram uma maior rotatividade, uma menor remuneração e uma maior informalidade do que os demais setores da economia.
Impactos da pandemia de Covid-19 sobre a pobreza e a desigualdade no Brasil
O segundo artigo analisa os impactos da pandemia de Covid-19 sobre a pobreza e a desigualdade no Brasil, considerando os efeitos das medidas de isolamento social e das políticas de transferência de renda, como o auxílio emergencial. O artigo estima que, sem essas políticas, a taxa de pobreza no país teria aumentado de 21,7% em 2019 para 36,6% em 2020, o que significa que mais de 30 milhões de pessoas teriam caído na pobreza. Por outro lado, com as políticas, a taxa de pobreza teria diminuído para 18,7% em 2020, o que significa que mais de 15 milhões de pessoas teriam saído da pobreza. O artigo também calcula que, sem as políticas, o índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, teria aumentado de 0,54 em 2019 para 0,59 em 2020, o maior valor da série histórica. Com as políticas, o índice de Gini teria caído para 0,49 em 2020, o menor valor da série histórica.
Efeitos da reforma da Previdência sobre a sustentabilidade fiscal e a distribuição de renda no Brasil
O terceiro artigo avalia os efeitos da reforma da Previdência sobre a sustentabilidade fiscal e a distribuição de renda no Brasil, com base em simulações de cenários alternativos de crescimento econômico, demografia e regras previdenciárias. O artigo conclui que a reforma da Previdência, aprovada em 2019, foi importante para reduzir o déficit do sistema e aumentar a equidade entre os beneficiários, mas não foi suficiente para garantir a solvência fiscal no longo prazo. O artigo sugere que são necessárias medidas complementares, como a revisão das regras de pensão por morte, a ampliação da idade mínima para aposentadoria e a criação de um regime de capitalização.
Produtividade total dos fatores na indústria brasileira entre 2000 e 2018
O quarto artigo estima a produtividade total dos fatores (PTF) na indústria brasileira entre 2000 e 2018, com foco nos setores de transformação e extrativo mineral, que apresentaram comportamentos distintos ao longo do período. A PTF é uma medida que capta o efeito de fatores não mensuráveis, como tecnologia, inovação, eficiência e qualidade, sobre o desempenho produtivo. O artigo mostra que o setor de transformação teve uma queda de 9,4% na PTF entre 2000 e 2018, enquanto o setor extrativo mineral teve um aumento de 26,4% no mesmo período. O artigo atribui essa diferença à maior exposição do setor de transformação à concorrência internacional, à baixa demanda interna, à falta de investimentos em infraestrutura e à escassez de mão de obra qualificada.
Comparação do desempenho econômico e social do Brasil com o de outros países emergentes
O quinto e último artigo compara o desempenho econômico e social do Brasil com o de outros países emergentes, como China, Índia, Rússia e África do Sul, usando indicadores de crescimento, inflação, desemprego, pobreza, desigualdade, educação, saúde e meio ambiente. O artigo revela que o Brasil ficou abaixo da média desses países em quase todos os indicadores, com exceção da inflação e da desigualdade, que apresentaram uma melhora relativa nos últimos anos. O artigo destaca que o Brasil precisa acelerar o seu ritmo de crescimento, reduzir o seu nível de endividamento, melhorar a sua qualidade educacional, ampliar a sua cobertura de saneamento básico e preservar o seu patrimônio ambiental.
Roteiro que aponta os desafios e oportunidades para um Brasil
A publicação do Radar nº 74 é mais que um levantamento de dados; é um roteiro que aponta os desafios e oportunidades para um Brasil sustentável. Além de informar, a iniciativa do IPEA oferece subsídios valiosos para decisões estratégicas, tornando-se uma referência imprescindível para pesquisadores, gestores e cidadãos interessados no futuro do país.
*Com informações do IPEA.
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