Onda Evangélica no Brasil: Aumento do número de igrejas protestantes ganha destaque internacional

O Templo de Salomão é a sede mundial da Igreja Universal do Reino de Deus que foi construída no Bairro do Brás em São Paulo, Brasil. A edificação da réplica foi inspirada em características da construção do Templo de Salomão, conhecido também como o primeiro templo citado pela Bíblia.
O Templo de Salomão é a sede mundial da Igreja Universal do Reino de Deus que foi construída no Bairro do Brás em São Paulo, Brasil. A edificação da réplica foi inspirada em características da construção do Templo de Salomão, conhecido também como o primeiro templo citado pela Bíblia.

Após a divulgação de um recente estudo pelo Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que revela um aumento de 228% no número de igrejas evangélicas no Brasil nos últimos 25 anos, o jornal francês Le Monde dedicou uma reportagem ao fenômeno que ganha proporções significativas no maior país católico do mundo.

Intitulado “A onda evangélica varre o Brasil”, o artigo do Le Monde destaca não apenas o crescimento exponencial de templos evangélicos, mas também prevê que a Igreja Romana se tornará minoria no país nos próximos dez anos. A reportagem contextualiza historicamente a presença do protestantismo, destacando a mudança significativa a partir de 1910 com a fundação de igrejas como a Congregação Cristã e as Assembleias de Deus.

O Le Monde enfatiza como esses espaços de adoração, inicialmente modestos, multiplicaram-se e ganharam dimensões impressionantes, citando o exemplo do Templo de Salomão, em São Paulo, da Igreja Universal do Reino de Deus, que custou mais de R$ 1,1 bilhão e atrai até 10 mil fiéis por culto.

A relação financeira das igrejas evangélicas com dízimo, que chega a 30% em alguns casos, e o crescente “mercado da fé”, que abrange desde editoras e lojas de roupas até sex-shops é reportado pelo Le Monde.

O aspecto político da ascensão evangélica no Brasil é analisado, especialmente após a eleição de Jair Bolsonaro para presidente em 2018, onde a influência evangélica se estendeu para o Governo Federal, com ministros na Educação e na Justiça. A reportagem observa que Bolsonaro cancelou dívidas das igrejas e promulgou medidas favoráveis durante a pandemia de Covid-19.

A seguir, confira os principais aspectos abordados sobre o tema pelo jornal francês Le Monde.

Raízes Históricas e Transformações Religiosas

A presença histórica do catolicismo no país, trazido pelos portugueses durante a colonização, contrasta com a ascensão do protestantismo. Os movimentos pioneiros, como os huguenotes franceses no século XVI e as igrejas fundadas por missionários suecos e italianos no início do século XX, marcando uma mudança significativa nas tradições religiosas brasileiras.

Templos imponentes e crescimento financeiro

O jornal Le Monde comenta o fenômeno arquitetônico e financeiro representado por templos como o grandioso Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, em São Paulo, capital, promovendo cultos com milhares de fiéis e custando mais de R$ 1,1 bilhão. A reportagem ressalta a expansão desses espaços, inicialmente modestos, que cresceram em número e recursos ao longo dos anos.

Dízimo e o mercado da fé

O texto aborda a prática do dízimo, onde fiéis são aconselhados a contribuir com 10% ou até 30% de seus salários mensais, além de explorar o emergente “mercado da fé”, que inclui editoras, lojas, restaurantes e até sex-shops comandados por igrejas evangélicas.

Religião e política: Uma união controversa

É analisada, também, a relação complexa entre as igrejas evangélicas e a política brasileira, destacando a entrada significativa dos evangélicos no cenário político e as adaptações necessárias da esquerda para atrair esse eleitorado. As divergências sobre pautas conservadoras, como posicionamentos anti-gay e anti-aborto, são ressaltadas como pontos de tensão.

Ascensão de Jair Bolsonaro e o papel evangélico no poder

A reportagem explora o período pós-eleição de Jair Bolsonaro em 2018, destacando a oportunidade percebida pela igreja evangélica para avançar com seu projeto de poder. A nomeação de ministros evangélicos e medidas favoráveis às igrejas durante a pandemia são apontadas como eventos que solidificaram a influência política dessas instituições.

Perfil de Edir Macedo e o futuro incerto

A matéria encerra-se com o perfil do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, figura que controla uma igreja, uma rede de televisão, um partido político e um banco. O texto ressalta sua influência significativa, embora controversa, na política nacional. A reportagem conclui com a incerteza sobre até onde a onda evangélica irá, mesmo com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.

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