População negra é minoria no Ministério Público brasileiro, diz estudo

Pesquisa do Conselho Nacional do Ministério Público aponta baixa representatividade negra entre membros da instituição.
Pesquisa do Conselho Nacional do Ministério Público aponta baixa representatividade negra entre membros da instituição.

O Ministério Público brasileiro, responsável por defender os interesses da sociedade perante o Judiciário, enfrenta uma disparidade alarmante em relação à representatividade racial. De acordo com a pesquisa “Perfil Étnico-Racial do Ministério Público brasileiro e acompanhamento de ações afirmativas do CNMP,” realizada pelo Conselho Nacional do Ministério Público em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 6,5% são mulheres negras, e 13,2% são homens negros entre os membros que ingressaram nos últimos cinco anos. Essa composição contrasta fortemente com os 56,1% de pessoas que se autodenominam pretas e pardas na população brasileira.

A pesquisa, apresentada durante o evento “MPDFT Livre de Racismo,” promovido pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios em celebração ao Dia da Consciência Negra, destaca que, mesmo com melhorias recentes, a representação negra ainda está longe do desejado equilíbrio. Ao analisar membros e servidores com mais de 20 anos de serviço e os recém-ingressados, houve um aumento de mais de 40% na participação de pessoas negras, passando de 28,8% para 38,1%. Contudo, os percentuais ainda não refletem a diversidade da população.

A Resolução CNMP 170, implementada em 2017, buscava aumentar a representatividade negra, reservando pelo menos 20% das vagas em concursos públicos do CNMP e do Ministério Público para pessoas negras. A promotora de Justiça do MPDFT, Polyanna Silvares de Moraes Dias, enfatiza a importância da diversidade racial nas instituições públicas e destaca a necessidade de debater e efetivar medidas para fortalecer a inclusão e promover uma cultura de equidade racial.

A pesquisa também aborda o processo de seleção de estagiários, a inclusão da promoção da igualdade racial na formação de membros e servidores, e a criação de instâncias especializadas na promoção da igualdade étnico-racial em todas as unidades do Ministério Público. Os dados foram coletados entre outubro de 2022 e abril de 2023, envolvendo as 26 unidades do Ministério Público nos estados, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público Militar (MPM).

No evento “MPDFT Livre de Racismo,” a doutora em Estudos Feministas pela UFBA e consultora em políticas públicas, Carla Akotirene, abordou o combate ao racismo institucional. Ela destacou a importância de compreender o funcionamento do racismo para promover a confiança no combate ao encarceramento em massa. A promotora Polyanna Silvares de Moraes Dias reforça a necessidade de engajamento e reflexão sobre o funcionamento do racismo na sociedade, buscando tornar o Ministério Público um ambiente livre de discriminações.

A discussão também trouxe à tona a necessidade de rever o papel do promotor punitivista e acusatório, valorizando a responsabilização de forma negociada e priorizando reparação em respeito aos direitos humanos. No mês da Consciência Negra, o evento ressaltou a importância de espaços de discussão e formação para mudar mentalidades e posicionar-se contra o racismo.


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