No interior do Conjunto Penal Masculino em Salvador e na unidade prisional de Lauro de Freitas, nasceu uma expressão literária que transcendeu as barreiras físicas e emocionais dos detentos. Os livros “E quem disse que não – Fábulas no Cárcere” e “Cartas no Cárcere – A Mim Mesmo e a Você”, lançados recentemente, são testemunhos desse fenômeno impulsionado pelo projeto Virando a Página. Sob a liderança do Corregedor-Geral do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), Desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, e com o apoio do Chefe do Judiciário baiano, Desembargador Nilson Soares Castelo Branco, os internos desafiaram as adversidades e deram vida a narrativas que abordam questões sociais como racismo, pobreza, desemprego e violência.
Ao mergulharem nas oficinas de Escrita Literária, coordenadas pelo Editor e Colaborador da Corregedoria Alex Giostri, os 15 internos responsáveis pela obra “E quem disse que não” exploraram o gênero fábula, revelando uma expressão autêntica de sentimentos e memórias. Através de histórias que desafiam a percepção comum do ambiente prisional, os autores promovem a ressignificação e transformação pessoal, oferecendo lições valiosas.
Em Lauro de Freitas, o projeto também se manifestou com o lançamento de “Cartas no Cárcere”, obra escrita por 14 internos. As cartas foram direcionadas a cinco remetentes ficcionais, proporcionando uma reflexão profunda sobre o passado, escolhas e o planejamento de um futuro diferente. A Juíza Auxiliar da CGJ Rosemunda Souza Barreto destaca o valor dessas cartas como uma expressão de catarse, arrependimento, confissão e reparação.
O Corregedor-Geral, Desembargador Rotondano, ressaltou o impacto transformador da literatura na vida dos internos, destacando a força do projeto como um instrumento de renascimento. O Secretário de Administração Penitenciária da Bahia, José Antônio Maia, enfatizou o lançamento das obras como parte da consolidação do trabalho de ressocialização.
Além da dimensão local, o programa Virando a Página ganhou projeção nacional ao ser apresentado no 92º Encontro do Colégio de Corregedores-Gerais dos Tribunais de Justiça do Brasil (CCOGE/ENCOGE). O estímulo à leitura, expressão oral e produção textual não apenas fomenta a reinserção social, mas também concede benefícios legais, conforme a Resolução CNJ 391/21 e Provimento CGJ/CCI 12/22.








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